segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Globalização da estupidificação

Realizou-se a 8 de Novembro de 2016 a 58ª eleição presidencial dos Estados Unidos.
De entre vários candidatos, Donald Trump e Hillary Clinton, os preferenciais com o apoio dos partidos Republicano e Democrata, respetivamente, o primeiro foi o vencedor.

Sem desrespeito pelo resultado do sufrágio dos cidadãos ou soberania dos Estados Unidos da América, as presidenciais de 2016 são um emergente caso de estudo, não do sistema eleitoral estadunidense, mas dos valores sociopolíticos inerentemente defendidos pelo candidato eleito.

Urge assim, uma leitura atenta das propostas defendidas na sua candidatura, bem como, um atento olhar à sua conduta habitual, pautado de controvérsia financeira, social, ideológica.

É tão mais urgente esta leitura e este olhar atentos quanto, por força dos vínculos políticos, financeiros e económicos, as escolhas governamentais dos EUA têm repercussões globais diretas e indiretas no bem estar e equilíbrio das nações do mundo.

Que equilíbrio e bem estar esperar de um governo comandado por uma pessoa cuja conduta enaltece o desdém pelo próximo, a desvalorização dos socialmente mais vulneráveis, o machismo, a xenofobia e o racismo? Não será este um sinal de retrocesso civilizacional? Um reflexo da estupidificação coletiva?

Meryl Streep, na cerimónia dos Globos de Ouro 2017 que lhe atribuiu um prémio pela carreira de atriz, sem nunca mencionar o seu nome, reservou boa parte do seu discurso a apontar críticas ao novo presidente eleito, mostrando o seu repúdio pelas ações do visado e preocupação com uso do poder que lhe foi confiado.