domingo, 10 de dezembro de 2017

Cristina Ferreira - Crónicas ( III )


CAIXA ALTA III



A todas e todos ouvintes da rádio castrense um bom dia.


Construção de uma barragem em Almodôvar, luta dos mineiros e aumentos em janeiro de 2018 dão o mote para mais um Caixa Alta.
Uma semana cheia de altos e baixos no panorama político e económico português levam a questionar qual o caminho que este novo ano que se avizinha quer dar aos portugueses. 

Numa época natalícia surgem, além das iluminações de Natal, o anúncio de aumentos em janeiro de 2018 -  pão, imposto único de circulação, imposto sobre veículos, portagens, transportes públicos, bebidas alcoólicas, rendas, entre outros. 

O aumento do salário mínimo, uma bandeira que a esquerda tem quase ganha,  é o bode expiatório para justificar os aumentos no próximo ano, como afirma António Fonte, da Associação dos Industriais de Panificação, Pastelaria e Similares do Norte, para justificar o aumento em 20% do preço do pão.

Esta é uma retórica das associações patronais para incutir a ideia de que as políticas económicas e de retoma que estão a ser aplicadas são contrárias  ao desenvolvimento do país.

Perguntem aos mineiros de Aljustrel, a todos os trabalhadores precários, do setor público e privado,  e a todos aqueles que têm muitos anos ao serviço de empresas e que viram congelada a progressão salarial, como se sentem ao ver cada vez mais mês no fim do salário.

580€ em janeiro de salário mínimo nacional: não será este o argumento mais fácil para justificar uma vontade latente de aumentar bens e serviços? Perguntem ao mineiros de Aljustrel se 600€ por mês, são suficientes para poderem gozar os quatro dias de folga?
Por falar em mineiros:  o terceiro período de greve está marcado na Mina Neves Corvo- de 18 a 22 de dezembro - os horários de trabalho mais humanizados e o reconhecimento da profissão como sendo de desgaste rápido dos operadores de lavaria  continuam a ser o motivo de luta destes trabalhadores - dignidade e respeito por quem trabalha.

Na Almina a luta continua pois,  apesar do sucesso da greve, que mobilizou também a população de Aljustrel, os trabalhadores ainda  não viram satisfeitas as suas reivindicações no que respeita   a aumentos salariais e melhorias de condições de trabalho.

Espero que estas negociações não sigam o caminho vergonhoso que o governo teve para com as reivindicações dos professores, dos técnicos  superiores de diagnóstico e terapêutica, dos transportes, entre outros.

Mudando de assunto: 

Barragem em Almodôvar: é com algum agrado que o  Bloco de Esquerda encara esta preocupação com os recursos hídricos do concelho por parte do presidente da câmara de Almodôvar: já era tempo de perspetivar um novo olhar e atuação sobre este precioso recurso, haja situação de seca ou não.

Os pontos fortes que o presidente Bota adianta publicamente sobre este projeto - como ele diz tem 30 anos de gaveta - são causa para alguma preocupação, por exemplo há que atualizar os estudos geoidrográficos, porque em 30 anos muito mudou - clima, relevo, caudal e as próprias necessidades da população. Igualmente causa preocupação que este possa ser um projeto para integrar na negociata da "Águas de Portugal".

Haja vontade política, mas não se ultrapassem as condicionantes ambientais que outrora fizeram chumbar o projeto.
Este novo olhar para os recursos hídricos do concelho de Almodôvar deveria  passar, também, por projetos de menor dimensão, tal como a reabilitação das ribeiras e barrancos que atravessam o concelho, sendo que alguns podem mesmo aumentar a qualidade de vida dos habitantes como, por exemplo, a reabilitação da ribeira de Cobres e espaço envolvente, medida que o Bloco de Esquerda defende desde 2009.

Já que estamos no domínio da água convém lembrar as fatalidades que, uma vez mais, aconteceram em diversas zonas do país, devido à presença da bactéria Legionella, o que comprova a existência de falhas na monitorização e combate deste patogénico nos locais de maior probabilidade de incidência. 

Bom Feriado! 

08/12/2017

Cristina Ferreira