sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Cristina Ferreira - Crónicas ( VIII )






2018: será este um ano de igualdades?

Será 2018 o ano em que as mulheres ganharão tanto como os homens?

Esta pergunta surge no seguimento da notícia de que a Islândia é o primeiro país a obrigar as empresas com mais de 25 trabalhadores a acabar com as diferenças salariais entre homens  mulheres.

Desde o dia 1 de Janeiro, as empresas são obrigadas a certificar e provar que pagam salários iguais a homens e mulheres com a mesma função.

Portugal está a estudar a possibilidade de aplicar o modelo islandês de certificação da igualdade salarial afirmou a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro.

Esta é uma excelente notícia se tivermos em conta que, em Portugal, os homens ganham, em média e de acordo com os dados da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género 990 euros de salário, enquanto as mulheres se ficam pelos 824 euros, é só uma diferença de 166€, pelo que é totalmente justificada esta medida de modo a sinalizar e combater a desigualdade laboral.


Esta certificação da igualdade salarial, nos primeiros dois anos, será aplicável às empresas com mais de 250 trabalhadores e, posteriormente, será alargada às empresas com mais de 100 funcionários.

A discriminação salarial baseada no sexo passará a constituir uma contraordenação grave. 

Dois anos é muito tempo, e se tivermos em conta que em Portugal 95% do tecido empresarial é composto por micro, pequenas e médias empresas e, no distrito de Beja esse número sobe. Até que seja aplicada nos diversos concelhos do distrito, temos muitas empresas descansadas e a praticar essa desigualdade.

Seria bom que os deputados da Assembleia da República, eleitos pelo círculo de Beja, tivessem em conta esta situação e tomassem medidas que minimizassem o atraso da reposição da igualdade salarial.

“O que não podemos continuar a aceitar é que, para trabalho de valor igual, as pessoas ganhem valores diferentes”, conclui a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade pois, apesar desta igualdade estar consagrada na lei, como afirma a Confederação da Indústria Portuguesa, ela não é praticada por todas as empresas.

Outra boa notícia é a de que o boletim de voto em braille poderá ser uma realidade já em 2019.

Assim, no próximo ano, os eleitores podem contar, nas eleições legislativas e europeias com o boletim de voto com a matriz em braille”, e podem exercer este ato de forma autónoma.

Mais um passo para uma sociedade que se quer justa, inclusiva e socialmente responsável, eliminando barreiras para permitir um acesso verdadeiramente universal para todos os cidadãos e cidadãs.

E agora por falar em inclusão, ou melhor, exclusão:

O município de Almodôvar este ano não terá o festival Terras sem Sombra, talvez para não fazer sombra a Castro Verde que também não adere, pois os custos monetários associados ao evento são muito elevados!

Já é mau quando se corta na cultura, mas a questão agrava-se quando se afirma, como foi dito pelo presidente da câmara, António Bota, em declarações a esta rádio, que o público-alvo deste festival, a nível turístico, traz turistas mas que, apesar de serem queridos, vêm das sete às dez horas e isso não traz vantagens económicas nem para o comércio local, nem para a restauração, este tipo de público não traz grandes vantagens económicas !!!

Erro crasso considerar a cultura nesta perspetiva comercial, e sobretudo desvalorizar aqueles que nos visitam, mesmo que por poucas horas.

Mas a questão agrava-se ainda mais quando comparamos esta explicação com o discurso feito aquando da inauguração do órgão de tubos em julho de 2017: foi dito que seria uma mais-valia o conjunto de concertos e que este aspeto cultural iria permitir atrair turistas e dinamizar o comércio local, bem como dar a conhecer Almodôvar e a sua cultura!

Então em que ficamos?

Queremos turistas ou não?

Já agora devo dizer que este tema da dinamização do comércio local em todos os discursos começa a perder a eficácia desejada, de tão repetido que tem sido.

Mas voltando ao turismo: se o turista é aquele que vem conhecer para depois dar a conhecer, então temos aqui um problema para resolver: que tipo de turistas queremos no nosso concelho?

Assim, e culturalmente falando, deixo aqui algumas questões:

A primeira: como vai ser pensada e executada a agenda cultural do concelho? Que tipo de eventos vai incluir?

A segunda: aposta-se na qualidade ou na quantidade? É que elas não são sinónimas!

A terceira: que público pretende cativar?

Indo ao encontro das preocupações do presidente da câmara, devo referir que segundo vários estudos publicados, cada 1% de investimento em cultura tem um retorno de 2%, logo há lucro; por outro lado cultura significa, em sentido alargado, o conjunto dos conhecimentos adquiridos que contribuem para a formação do indivíduo enquanto ser social, pelo que, quanto maior riqueza cultural este tiver, maior será o retorno que dará à sociedade.



Bom fim de semana!



12/01/2018

Cristina Ferreira