sábado, 10 de março de 2018

Cristina Ferreira - Crónica ( XV )





A Comissão Europeia divulgou, no âmbito pacote de inverno do semestre europeu, o relatório em que é dito que o aumento do salário mínimo não está a afetar a criação de emprego,
sendo essa uma das suas preocupações para Portugal.

Segundo Bruxelas, os recentes aumentos do salário mínimo nacional permitiram melhorar o salário dos trabalhadores menos qualificados e não tiveram impacto na criação de emprego, contrariando as preocupações manifestadas em novembro de 2017.

Em Portugal, cerca de 20% dos assalariados ganham o salário mínimo, uma percentagem demasiado elevada no universo laboral, que tem consequências a nível social. Claro que os 580€ nada têm em comum com o salário daquele senhor Mexia que diz que a eletricidade em Portugal não é cara – pois não é cara é caríssima.



Também o Sr. Presidente da República elogiou esta evolução positiva da economia. Parece que saímos do grupo de países de desequilíbrios excessivos para um outro, qual não sei!
Parece que “temos de dar ainda mais passos do ponto de vista económico e financeiro”, bem como “olhar para as condicionantes variáveis que permitem esse crescimento e a criação de emprego e mais justiça social”, assim como qualificar, quer no plano profissional, quer no plano pós-graduado. Parece-me que há aqui um "desequilíbrio excessivo" entre as palavras e a realidade - económica e socialmente falando, é claro. Mas parece que há urgência em efetuar uma “correção sustentável dos desequilíbrios”, pelo que se pede a Lisboa que apresente, em abril, um Programa Nacional de Reformas “ambicioso”.

Segundo o Primeiro Ministro “Aquilo que tem permitido Portugal ser hoje um centro de atração de centros de competências internacionais é naturalmente termos um ambiente de negócios amigável, termos um elevado nível de segurança, termos boas redes de infraestruturas, em particular do ponto de vista tecnológico, mas sobretudo o grande fator é a excelência da qualidade dos recursos humanos”, destacou “E significa bem qual é o futuro do país e o que é que tem que ser a prioridade do país: continuar a investir, desde o pré-escolar ao ensino superior, na capacidade de formar mais e melhores recursos humanos”, - julgo que se deve estar a referir, também à contagem do tempo de serviço dos professores – pois é fundamental para Portugal ter “mais e melhor emprego” sendo “um esforço que tem que ser transversal a toda a sociedade, tem de motivar as famílias, as empresas, o Estado, as autarquias, toda a sociedade”.

Bem parece que saímos, então, de um desequilíbrio excessivo mas nos discursos dos presidentes não se fala em aumentar o salário mínimo nacional, aquele que era um risco em novembro de 2017, mas que agora tiveram que reconhecer que estavam errados.



09-03-2018

Cristina Ferreira