sexta-feira, 18 de maio de 2018

Cristina Ferreira - Crónica ( XXIII )












O Bloco de Esquerda não compactua com o CRIME AMBIENTAL DE FORTES o que motiva a visita da sua Coordenadora, Catarina Martins, e da deputada Maria Manuel Rola, da Comissão Parlamentar de Ambiente, hoje, sexta-feira, 18 de Maio, pelas 17h30. 

Não chegava já a praga da MONOCULTURA DO OLIVAL SUPERINTENSIVO, que tem o expoente máximo no concelho de Ferreira do Alentejo, com a erosão dos solos e a contaminação das linhas de água, esta fábrica de bagaço de azeite é um foco inadmissível de poluição a céu aberto, a poucas centenas de metros da povoação de Fortes e da A2. O cheiro desta fábrica também é sentido em Aljustrel e Castro Verde. 




A fábrica pertence à Azeites de Portugal, SA – com sede em Santa Maria da Feira. Por sua vez, estes azeiteiros lusos são a testa-de-ferro do grupo MIGASA – Miguel Gallego, SA, com sede em Sevilha e que se autointitula líder mundial do azeite. 

Como muitas outras SA espanholas que dominam o ramo da olivicultura super intensiva e os negócios do azeite, comportam-se no Alentejo como se estivessem em terra conquistada, usando e abusando de más práticas agrícolas e ambientais. O grupo MIGASA proclama a sua responsabilidade social e preocupações ambientais (a que já são obrigados) em Espanha, mas usam Portugal como o pátio das traseiras, perante a incompreensível passividade dos Ministérios do Ambiente e da Agricultura. 
Esta fábrica é a ponta do iceberg, os olivais são os alicerces de uma produção desenfreada, um saque aos recursos naturais e ambientais do Alentejo. 

Se dia 18 temos a coordenadora Catarina Martins, no dia 19, o Bloco de Esquerda fará a homenagem a Catarina Eufémia, pelas 19 horas no cemitério de Baleizão, e contará com a presença do líder do grupo parlamentar: Pedro Filipe Soares. 

Filha de camponeses sem terra, Catarina Eufémia nasceu a 13 de fevereiro de 1928, em Baleizão. Os pais trabalhavam num latifúndio e Catarina trabalhava em casa. Nem sequer teve tempo para ir à escola.

Catarina Eufémia começou a trabalhar nos latifúndios, durante a adolescência, e aprendeu tudo sobre os trabalhos no campo, da sementeira à ceifa. Aos 17 anos casou-se com António Joaquim (operário da CUF) e foi viver para o Barreiro.

Mais tarde, António Joaquim foi dispensado da CUF e o casal regressou a Baleizão. António Joaquim conseguiu emprego de cantoneiro, em Quintos mas o seu salário não chegava para sustentar a família e Catarina voltou a trabalhar nos latifúndios.

No dia 19 de maio de 1954, Catarina Eufémia liderou um grupo de 14 ceifeiras que exigiam o aumento de mais dois escudos por jorna diária. Na herdade do Olival, o grupo foi cercado por soldados da GNR e o tenente Carrajola matou Catarina.

Durante o funeral, a GNR dispersou à bastonada a multidão que protestava contra a sua morte. No tumulto, nove camponeses foram presos, julgados e condenados a dois anos de prisão.

Para evitar romarias subversivas, por ordem da GNR, o corpo de Catarina não foi sepultado em Baleizão, mas em Quintos. Em 1974, depois da Revolução dos Cravos, os restos mortais de Catarina foram transladados de Quintos para Baleizão.

Uma nota importante: o tenente Carrajola não foi a tribunal, nem sequer foi castigado. Foi apenas transferido de Baleizão para Aljustrel, onde morreu, em 1964, de morte natural.

Vários poetas imortalizaram a sua luta, Zeca Afonso em "Cantar Alentejano" presta-lhe homenagem. 


Cristina Ferreira
18-05-2018