sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Cristina Ferreira - Crónicas ( X )








Riqueza: onde andas?


Termina hoje, na Suíça, em Davos, O Fórum Económico Mundial, que junta os principais líderes políticos e empresariais do mundo.



Também nesta semana foi divulgado o relatório internacional da organização não-governamental Oxfam que mostra que mais de 80 por cento da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1 por cento da população mundial.

O artigo online, de 21 de janeiro, do sapo24 refere que o relatório "Recompensem o trabalho, não a riqueza", da Comissão de Combate à Fome de Oxford - Oxfam (uma confederação de 17 organizações não-governamentais) mostra que metade da população mundial não ficou com qualquer parcela daquela riqueza.


Segundo a Oxfam, houve um aumento histórico no número de multimilionários no mundo: "atualmente existem 2.043 multimilionários no mundo e 9 em cada 10 são homens".

O estudo calculou que a riqueza dos multimilionários aumentou 13% ao ano em média desde 2010, seis vezes mais do que os aumentos dos salários pagos aos trabalhadores (2% ao ano).

O mesmo relatório indicou que em 2017 a riqueza desse grupo aumentou 762 mil milhões de dólares (622,8 mil milhões de euros), uma verba suficiente para acabar mais de sete vezes com a pobreza extrema no mundo.

Para a organização não-governamental, o crescimento sem precedentes do número de bilionários não é um sinal de uma economia próspera, mas um sintoma de um sistema extremamente problemático já que mais de metade da população mundial tem um rendimento diário entre 2 e 10 dólares (entre 1,6 euros e 8,1 euros).

"Enquanto o 1% mais rico ficou com 27% do crescimento do rendimento global entre 1980 e 2016, a metade mais pobre do mundo ficou com 13%”, refere o relatório.

“Mantendo o mesmo nível de desigualdade, a economia global precisaria ser 175 vezes maior para permitir que todos passassem a ganhar mais de 5 dólares (4 euros) por dia", concluiu a análise.

Como diz o escritor moçambicano, Mia Couto, a maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos, e essa riqueza nasceu do empobrecimento da cidade e da sociedade.







26/01/2018



Cristina Ferreira