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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O Monstro Prospera

 



Foi em Castro Verde, mas poderia ter sido em qualquer outro lugar. Esta vila do baixo Alentejo que durante muitos anos manteve um corpo autárquico maioritariamente comunista, nas últimas eleições autárquicas, motivado pelas mais diversas razões, mudou para uma governança socialista.

Esta é uma terra de muitas tradições e vasta riqueza cultural, muita dela adquirida através das boas relações com as comunidades vizinhas e outras itinerantes que aqui vêm para as normais trocas comerciais tal como nos é descrito no cancioneiro contemporâneo – como o fado interpretado por Mariza: Feira de Castro.

Por força do desenvolvimento mineiro nas últimas décadas a sua economia local foi sendo transformada, substituindo as tradicionais atividades agrícola e subjacentes pela mineira e industrial, que proporcionam maior estabilidade económica para as famílias locais e que atraiu muitas outras vindas de diversas regiões em ciclo económico mais deprimido.

Este é um concelho como tantos outros e possui, tal como esses, uma comunidade cigana mais ou menos fixa no seu território.

Recentemente saíram dos Paços deste concelho a vigorosa instrução para isolar a dita comunidade sob o pretexto de proteger os munícipes e combater a disseminação virulenta.

Boas intenções as deste executivo que procura implementar soluções para erradicar uma crise sanitária sem precedentes neste século, porém pior que a própria crise quanto à proteção dos valores e garantias constitucionais da liberdade e igualdade dos indivíduos, algo que estes eleitos juraram proteger quando tomaram posse.

Rapidamente este executivo recuou na decisão de atuar vigorosamente contra uma comunidade étnica, eventualmente devido ao veemente repúdio e igualmente vigorosa denúncia de segregação, seja pela própria comunidade, pela associação SOS Racismo, ou outra individualidade ou organização.

Mas o mal já estava feito, e apesar do recuo, veio mostrar que o insidioso monstro da discriminação racial e xenófoba, até agora escondido nos mais insuspeitos lugares, vai ganhando suficiente à-vontade para se mostrar.

Este é o mesmo monstro que no século passado, quando aconteceram as crises sanitárias da gripe espanhola ou a da cólera, permitiu a segregação dos infetados para zonas afastadas das áreas urbanas. Uma solução em tudo idêntica à proposta do executivo de Castro de Verde e que por exemplo, no caso de Almodôvar, concelho vizinho, jogava para o lado de lá do cais da Ribeira os doentes e respetivas famílias como medida de contenção do problema epidemiológico. Mas havia uma falha: somente os indivíduos das classes mais desfavorecidas, maioritariamente homens e mulheres trabalhadores agrícolas à jorna, iam lá parar, quase que abandonados à sua sorte, ficando os mais abastados, senhores e senhoras donos das propriedades agrícolas, a convalescer na sua residência.

São memórias que se vão perdendo com a renovação das gerações, mas ainda é possível encontrar quem tenha viva memória desses tempos e lutou por uma sociedade melhor, mais justa e igualitária. Temos de as preservar: as memórias e, também, as lutas que foram travadas, retendo e ampliando as conquistas alcançadas.

Manter uma vigorosa vigilância, sim, é necessário, mas no sentido de isolar cada vez mais as atitudes discriminatórias e segregadoras baseadas na classe, cor, etnia cultura ou quaisquer outros determinantes característicos dos indivíduos e comunidades. É também necessário atuar quando as atitudes e orientações das instituições, organizações ou dos indivíduos, discriminem e pretendam segregar comunidades ou indivíduos pelas suas características.

O impulso no crescimento de ideologias discriminatórias, facilmente conotadas ao radicalismo efervescente e extremista de direita, é o sintoma de uma democracia doente, fraca, permeável. É indissociável deste diagnóstico os resultados eleitorais que frequente e consecutivamente dão vitória ao candidato Abstenção. Ou seja, são mais as pessoas que se afastam da coisa política e abdicam de escolher a direção política dos órgãos de soberania nacional, àqueles que, exercendo o seu direito de voto, escolhem o candidato legal mais votado.

A abstenção é um fenómeno com efeitos muito perversos. Mesmo que, por um lado, no imediato, mostre o desinteresse, descontentamento a incredulidade e desconfiança, seja no sistema democrático vigente, seja nas candidaturas nos vários atos eleitorais, por outro lado, também no imediato, é uma forma de “manifestar” esse mau estar que acaba por não ter valor no sistema democrático. Mas o perigo e a perversidade deste fenómeno estendem-se para lá do imediato. A longo prazo, o costume da abstenção conduz a uma horda de eleitores cada vez mais acríticos, desatentos às realidades políticas ou, no mínimo, detentores de conhecimentos no domínio político, baseados em assunções falsas ou mal estruturadas.

É neste terreno que o monstro prospera e tal como uma erva daninha, tem de ser eliminado.

Desta vez mostrou-se em Castro Verde, mas podia ter sido num outro lugar qualquer.

 

Filipe M Santos

Almodôvar, 30 de janeiro de 2021


 Em Esquerda.Net pode ler este e ainda outros artigos


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Cristina Ferreira - Crónicas ( VIII )






2018: será este um ano de igualdades?

Será 2018 o ano em que as mulheres ganharão tanto como os homens?

Esta pergunta surge no seguimento da notícia de que a Islândia é o primeiro país a obrigar as empresas com mais de 25 trabalhadores a acabar com as diferenças salariais entre homens  mulheres.

Desde o dia 1 de Janeiro, as empresas são obrigadas a certificar e provar que pagam salários iguais a homens e mulheres com a mesma função.

Portugal está a estudar a possibilidade de aplicar o modelo islandês de certificação da igualdade salarial afirmou a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro.

Esta é uma excelente notícia se tivermos em conta que, em Portugal, os homens ganham, em média e de acordo com os dados da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género 990 euros de salário, enquanto as mulheres se ficam pelos 824 euros, é só uma diferença de 166€, pelo que é totalmente justificada esta medida de modo a sinalizar e combater a desigualdade laboral.


Esta certificação da igualdade salarial, nos primeiros dois anos, será aplicável às empresas com mais de 250 trabalhadores e, posteriormente, será alargada às empresas com mais de 100 funcionários.

A discriminação salarial baseada no sexo passará a constituir uma contraordenação grave. 

Dois anos é muito tempo, e se tivermos em conta que em Portugal 95% do tecido empresarial é composto por micro, pequenas e médias empresas e, no distrito de Beja esse número sobe. Até que seja aplicada nos diversos concelhos do distrito, temos muitas empresas descansadas e a praticar essa desigualdade.

Seria bom que os deputados da Assembleia da República, eleitos pelo círculo de Beja, tivessem em conta esta situação e tomassem medidas que minimizassem o atraso da reposição da igualdade salarial.

“O que não podemos continuar a aceitar é que, para trabalho de valor igual, as pessoas ganhem valores diferentes”, conclui a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade pois, apesar desta igualdade estar consagrada na lei, como afirma a Confederação da Indústria Portuguesa, ela não é praticada por todas as empresas.

Outra boa notícia é a de que o boletim de voto em braille poderá ser uma realidade já em 2019.

Assim, no próximo ano, os eleitores podem contar, nas eleições legislativas e europeias com o boletim de voto com a matriz em braille”, e podem exercer este ato de forma autónoma.

Mais um passo para uma sociedade que se quer justa, inclusiva e socialmente responsável, eliminando barreiras para permitir um acesso verdadeiramente universal para todos os cidadãos e cidadãs.

E agora por falar em inclusão, ou melhor, exclusão:

O município de Almodôvar este ano não terá o festival Terras sem Sombra, talvez para não fazer sombra a Castro Verde que também não adere, pois os custos monetários associados ao evento são muito elevados!

Já é mau quando se corta na cultura, mas a questão agrava-se quando se afirma, como foi dito pelo presidente da câmara, António Bota, em declarações a esta rádio, que o público-alvo deste festival, a nível turístico, traz turistas mas que, apesar de serem queridos, vêm das sete às dez horas e isso não traz vantagens económicas nem para o comércio local, nem para a restauração, este tipo de público não traz grandes vantagens económicas !!!

Erro crasso considerar a cultura nesta perspetiva comercial, e sobretudo desvalorizar aqueles que nos visitam, mesmo que por poucas horas.

Mas a questão agrava-se ainda mais quando comparamos esta explicação com o discurso feito aquando da inauguração do órgão de tubos em julho de 2017: foi dito que seria uma mais-valia o conjunto de concertos e que este aspeto cultural iria permitir atrair turistas e dinamizar o comércio local, bem como dar a conhecer Almodôvar e a sua cultura!

Então em que ficamos?

Queremos turistas ou não?

Já agora devo dizer que este tema da dinamização do comércio local em todos os discursos começa a perder a eficácia desejada, de tão repetido que tem sido.

Mas voltando ao turismo: se o turista é aquele que vem conhecer para depois dar a conhecer, então temos aqui um problema para resolver: que tipo de turistas queremos no nosso concelho?

Assim, e culturalmente falando, deixo aqui algumas questões:

A primeira: como vai ser pensada e executada a agenda cultural do concelho? Que tipo de eventos vai incluir?

A segunda: aposta-se na qualidade ou na quantidade? É que elas não são sinónimas!

A terceira: que público pretende cativar?

Indo ao encontro das preocupações do presidente da câmara, devo referir que segundo vários estudos publicados, cada 1% de investimento em cultura tem um retorno de 2%, logo há lucro; por outro lado cultura significa, em sentido alargado, o conjunto dos conhecimentos adquiridos que contribuem para a formação do indivíduo enquanto ser social, pelo que, quanto maior riqueza cultural este tiver, maior será o retorno que dará à sociedade.



Bom fim de semana!



12/01/2018

Cristina Ferreira

sábado, 6 de janeiro de 2018

Cristina Ferreira - Crónicas ( VII )




Este país não é para todos, infelizmente!



Entrámos em 2018 com grandes novidades, ou talvez não!

Está na ordem do dia o encerramento de algumas estações dos CTT - Correios de Portugal e consequentes despedimentos que só demonstram que a história das privatizações, na maioria das vezes, é ruinosa mas isso não impede que se continue a querer privatizar.

Três anos bastaram para que os CTT contribuíssem para a degradação dos serviços e, como diz Joana Mortágua, a única carta que chega a horas é a que leva os cheques com a choruda distribuição de lucros aos acionistas.

Apesar de alegarem a existência de uma crise para justificar o encerramento de mais 22 estações e a redução de mais de 800 trabalhadores, os acionistas meteram ao bolso 90% dos lucros da empresa.


Os acionistas aproveitaram a privatização de um serviço público para criar um banco comercial com uma rede de balcões imbatível no território nacional.

Grande negócio!!!!

Entretanto, nas zonas rurais, o carteiro passa uma vez, isto se for uma boa semana.

Rouba-se um serviço que deveria ser público, rouba-se qualidade e impede-se as pessoas de aceder aos serviços.

Haja sensatez e vergonha!

Se por estas bandas os CTT ainda permanecem, será que a onda de encerramentos demora a chegar?

No distrito de Beja nenhuma estação, por enquanto, fechará mas só pelo facto de que a empresa tem que garantir o serviço e requisitos de densidade geográfica exigidos pelo serviço universal, ou seja, garantir os serviços mínimos.

Por enquanto estamos safos!

Por Almodôvar outros cenários se desenham: estão abertas as inscrições para o Programa de Ocupação Municipal de Desempregados de Longa Duração; este abrange no máximo quinze candidatos, pelo período de nove meses, que se encontrem em situação de desemprego de longa duração.

Até aqui tudo bem!

Mas se o objetivo deste programa é, como se diz no regulamento específico, contribuir para a formação humana e profissional, e posterior reintrodução no mercado de trabalho, bem como melhorar a situação económica dos participantes neste programa, qual a lógica de atribuir uma Bolsa Mensal que se destina apenas a fazer face a despesas que surjam do desenvolvimento das atividades pelos participantes?

Será que não é possível dar o valor justo pelo trabalho efetuado?

Se o Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2018 do município de Almodôvar, no valor de 12 milhões de € é, como diz o presidente da câmara, e cito, "um orçamento virado, uma vez mais, para as pessoas, assim como para o desenvolvimento económico e social do concelho", então este programa poderia, e deveria, ser reforçado.

Nas palavras do presidente da câmara, António Bota, "a vertente financeira, que não sendo muito significativa, será mais um estímulo para que este projeto tenha o êxito que pretendemos, que passa essencialmente por dar dignidade e ocupar de forma terapêutica todos os nossos concidadãos que infelizmente não têm trabalho".

Terapêutico seria ter trabalho e digno seria receber o que é justo pelo trabalho efetuado, ideal, digo eu, seria uma efetiva reintegração no mercado de trabalho.

Tal como referi no debate na Rádio Castrense, aquando das eleições autárquicas 2017, e a propósito da criação de emprego, este tipo de programas não proporciona nem a resolução do problema da falta de emprego, nem tira as pessoas da precariedade laboral, nem dá independência económica.

Continuo a fazer a mesma pergunta que fiz na altura: que tipo de contrato de trabalho é que se quer fazer com as pessoas?


Bom fim de semana!





05/01/2018

Cristina Ferreira

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

UMA VERDADEIRA ALTERNATIVA PARA O CONCELHO [ALMODÔVAR] - Considerações de Campanha

Dia 1 de outubro, todos os munícipes, homens e mulheres de Almodôvar, são chamados às urnas para decidir as políticas partidárias que pretendem para o seu concelho.


Nós, Bloco de Esquerda, acreditamos que temos a melhor proposta para romper com a crença de que se irá escolher o “homem” que dá a cara mas que, no fundo, resulta num ping-pong entre os partidos PS e PSD.

Uma Verdadeira Alternativa – o lema de campanha do Bloco de Esquerda em Almodôvar, é o projecto político que até no género fará a diferença, pois em 43 anos de democracia em Almodôvar, traz uma “mulher” a encabeçar a lista que tradicionalmente capta maior atenção: a Câmara Municipal.

A nossa campanha, percorreu todas as 8 freguesias do concelho, e deu a conhecer nos comícios as linhas orientadoras da nossa candidatura autárquica: a Reativação da Vida Económica, a Democratização da Democracia Local, o Apoio ao Ensino, à Cultura e ao Associativismo, a Resposta Solidária à Emergência Social, e Defender o Que é de Todos – Por um Município Ecológico.

Mas também, neste périplo autárquico, aprendeu com as pessoas, e acima de tudo, comprovou que muito no concelho há para se fazer em prol das pessoas, e sobretudo com elas, nas localidades mais afastadas da sede de concelho.

O Bloco de Esquerda tem a firme convicção que a participação de todos os cidadãos e cidadãs almodovarenses pode contribuir para a melhoria das condições de vida das pessoas deste concelho.

Dia 1 de outubro, depositar a confiança no Bloco de Esquerda é dar-lhes o poder de agir democraticamente num projecto futuro consequente com e para as pessoas.

Nestas eleições, junta a tua força à nossa. Dia 1 de outubro: A FORÇA DO BLOCO FAZ A DIFERENÇA!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

POR UMA VERDADEIRA ALTERNATIVA


[também na] União das freguesias de ALMODÔVAR
E GRAÇA DOS PADRÕES


O Bloco de Esquerda não se alheia às dificuldades que prevalecem nas comunidades das freguesias de Almodôvar e Senhora da Graça de Padrões e provavelmente se agudizaram com a sua união administrativa. Estamos convictos que a ação democrática e a participação de todas e todos, proporcionarão progressivamente melhores condições a estas comunidades.

Este é o manifesto programático que faremos chegar a todo território das freguesias e que vos damos a conhecer aqui, neste espaço:


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

UMA VERDADEIRA ALTERNATIVA PARA O CONCELHO [de ALMODÔVAR]



Aproxima-se a data em que os Almodôvarenses depositarão em urna o seu voto de confiança nas candidaturas partidárias de sua eleição.

As candidaturas do Bloco de Esquerda aos órgãos autárquicos do concelho, assumem-se como Uma Verdadeira Alternativa, seja pelas propostas programáticas, pela coerência ideológica ou simplesmente por corporizar a rutura com a alternância de poder entre PS e PSD dos últimos ciclos autárquicos, e com as práticas abusivas ou no mínimo democraticamente duvidosas, comuns a quem se sente "à vontade" na governação.


Este é o manifesto programático que faremos chegar a todo o concelho e que vos damos a conhecer aqui, neste espaço:

 





quinta-feira, 27 de julho de 2017

Uso restrito de Água em Almodôvar






“Uso restrito de água em Almodôvar”

Em face das recentes notícias na comunicação social local e regional e à falta de reação do órgão soberano presidido pelo socialista António Bota, sobre a alegada restrição no uso de água no concelho, o Núcleo de Almodôvar do Bloco de Esquerda vem fazer o seguinte reparo:

A governação deste concelho, pelas mãos do atual presidente, iniciou com problemas de água, e terminará também com problemas de água!

Se no início do mandato socialista foi a segurança e qualidade deste bem vital que esteve em causa, quando foi detetada Legionela na rede de distribuição, a concretizar-se o que nos adiantam alguns canais de informação, o risco de faltar água nas torneiras dos almodovarenses é a pedra de toque no final deste ciclo autárquico.

O Bloco de Esquerda, sempre se mostrou relutante nos processos de privatização da água por entender que este, por ser um bem vital, deve ser garantido pelo estado, protegido da especulação e interesses privados. E assim se manifestou o seu deputado na Assembleia Municipal, eleito no mandato 2009-2013.

Porém, porque assim mandam os princípios democráticos da vontade maioritária, a sua força não foi a suficiente.

Em Almodôvar, o primeiro passo da passagem deste bem vital para gestão privada deu-se em agosto de 2009. Depois, em setembro do mesmo ano, o segundo passo foi dado quando o executivo camarário, à data titulado pelo Social-democrata António Sebastião, atribuiu à Águas Públicas do Alentejo (AgdA) a exploração e a gestão dos serviços públicos de abastecimento. O último passo foi dado em janeiro de 2011, quando a AgdA finalmente deu início à sua atividade no nosso concelho.

Com alguma pompa e circunstância, o presidente António Bota exibe as contas da água pagas e chama a si a honra de presidir o único município com saldo zero neste “arranjinho no negócio da água”. Talvez a ameaça de falta de água seja o prémio, para o esforço financeiro que os almodovarenses fazem, quando pagam as suas contas.

A força do Bloco faz a diferença, e em coerência com o seu posicionamento político, em Almodôvar propõem-se ser Uma Verdadeira Alternativa, para as questões da ÁGUA.


O Núcleo Concelhio do Bloco de Esquerda em Almodôvar, em 22 de Julho de 2017

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Assembleia de Freguesia de Almodôvar e Graça dos Padrões


Discurso de Filipe Santos na Apresentação de Candidatura à

Assembleia das Freguesias de Almodôvar e de Graça dos Padrões



Almodôvar,  08 de Julho de 2017 – Inauguração da Sede de Campanha do Bloco de Esquerda



"Das diversas razões que me levou a assumir a candidatura do Bloco de Esquerda à Assembleia da União de Freguesias de Senhora da Graça de Padrões com Almodôvar, a principal foi a convicção firme de que o nosso trabalho e empenho poderão contribuir para a melhoria das condições de vida dos habitantes das nossas freguesias.

No contexto da economia nacional e regional, com evidentes repercussões nas freguesias de Almodôvar e Senhora da Graça de Padrões, não somos alheios às dificuldades que aqui prevalecem.

Reconhecemos que as nossas freguesias, mais que um território administrativo, são comunidades, e nestas as pessoas que as constituem, possuem o potencial suficiente para nos ajudar a desenvolver um projeto de futuro e que vai muito para além de cimento, tijolos, alcatrão e obras – que tantas vezes são recursos gastos em obras que muitas vezes desafiam a boa-fé do comum cidadão.

As freguesias de Almodôvar e Senhora da Graça de Padrões necessitam de uma estratégia sustentável de desenvolvimento, em prol dos seus fregueses e que proporcione condições e seja consequente para a fixação da população num contexto futuro palpável, tangível e credível que permitam a criação de emprego.

O PS protagonizou no ciclo político que encerrará em breve, pouco mais que a gestão do dia-a-dia das freguesias. Amparada na crença de que o desenvolvimento local provém do livre funcionamento do mercado, assente na realização de festas e romarias, articulado com o seguidismo acrítico e de total cumplicidade com interesses dúbios de outros órgãos autárquicos.

Com notório prejuízo para os cidadãos destas freguesias agora em união, mostraram que para estes o que mais contou foi preservar os cargos de poder, a auto-promoção, a manutenção do status-quo.

Identificar os problemas que travam o desenvolvimento local e propor uma estratégia e soluções para o combater foi o nosso mote para construir um projeto que considere ser erigido pelas pessoas e para as pessoas que aqui habitam.

Os cidadãos de Almodôvar e da Senhora da Graça de Padrões, são fregueses de coragem e por isso apelamos à vossa coragem para que se juntem ao nosso projeto de mudança. Apelamos, sobretudo a que tenham a coragem de exigir aos autarcas que venham a ser eleitos, as freguesias que realmente merecem.

Com o vosso voto, a Força do Bloco Faz a Diferença, e certamente, com a vossa ajuda, mostraremos que Uma Verdadeira Alternativa é fazer de Almodôvar e Senhora da Graça de Padrões, freguesias Com Futuro! Para todos!

Este é o momento em que podemos mudar, e esta candidatura será Uma Verdadeira Alternativa para se conseguir essa mudança

Contamos contigo!

O Candidato:
Filipe M Santos

Almodôvar – sede de campanha, 08 de Julho de 2017

Câmara Municipal - Discurso de Candidatura


Discurso de Cristina Ferreira na Apresentação de Candidatura à

Câmara Municipal de Almodôvar


Almodôvar,  08 de Julho de 2017 – Inauguração da Sede de Campanha do Bloco de Esquerda

"Boa tarde a todas e a todos!

De novo o Bloco de Esquerda apresenta uma candidatura aos diversos órgãos autárquicos, neste caso à Câmara Municipal apresentando, assim, uma verdadeira Alternativa ao conjunto de políticas que têm governado, ou melhor, desgovernado o concelho.

Uma verdadeira alternativa porquê?

Porque é necessário pensar o concelho como um todo, com as suas gentes, com as suas potencialidades, delineando, assim, uma estratégia de futuro, um rumo. Pensar e atuar de acordo com o imediato, resolve problemas pontuais e urgentes mas não cria sustentabilidade para um futuro, não resolve os problemas estruturais, sejam eles económicos, ambientais ou sociais.

Essa política do imediato só criou um grande fosso: o concelho perde a pouca indústria/ empresas que tem, os serviços vão gradualmente fechando, as escolas vão perdendo alunos e fechando, as pessoas saem à procura de outros lugares com oportunidade de emprego, no concelho ficam aqueles que já não têm coragem de sair - temos um concelho envelhecido e sem estruturas económicas que potenciem o desenvolvimento.

A verdadeira alternativa passa por olhar o concelho a partir de dentro, a partir dos recursos que possui, e eles são tantos!!!, para criar uma estrutura económica que permita o sustento das suas gentes.

O concelho tem 2/3 de serra - uma riqueza imensa - ao nível ambiental, paisagístico,  da biodiversidade e claro, humana e económica - mel, medronho e cortiça - são alguns dos produtos que fazem parte deste universo; o turismo, nas suas diversas vertentes permite criar sustentabilidade e também, muito importante, fixar gente nas zonas rurais.

Estruturar o futuro do concelho, baseado no potencial humano e nos recursos existentes, é o eixo condutor desta candidatura à Câmara Municipal: um concelho com pessoas e para as pessoas.

A política do imediato, do olhar para o umbigo, das festas, junto com a sede de poder, só evidencia a hipocrisia e o total desinteresse/desprezo pelo que as pessoas precisam: condições para viverem, trabalharem e aqui construírem o seu futuro.

O Bloco de Esquerda não compactua com valorização pessoal encapotada de política, com dizer uma coisa e fazer outra, com egotismo e despotismo e é por isso que esta candidatura se afirma como "Uma Verdadeira Alternativa".

Obrigada a todos e todas pela vossa presença! 




Almodôvar - sede de campanha, 8 de Julho de 2017

sábado, 22 de julho de 2017

Assembleia Municipal - Discurso de Candidatura

Discurso de António José Guerreiro na Apresentação de Candidatura à

Assembleia Municipal de Almodôvar


Almodôvar,  08 de Julho de 2017 – Inauguração da Sede de Campanha do Bloco de Esquerda





" Boa tarde a todas e a todos.


É pela 3ª vez que encabeço uma lista do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal de Almodôvar.

Nas duas vezes anteriores não consegui ser eleito.

Já fui no entanto Deputado Municipal em substituição do camarada José Gonçalo mais conhecido pelo Zuca eleito em 2009.

Nas eleições de 2013 não conseguimos eleger o que penso não ter sido nada positivo para a democracia da Assembleia Municipal. Assembleia essa em que falam: o presidente e os líderes de bancada, todos os outros entram mudos e saem calados. Nunca foi nem nunca será essa a nossa postura como ficou aliás demonstrado quando lá tivemos assento.

A assembleia Municipal de Almodôvar é uma assembleia que não tem interesse em dar a palavra aos munícipes, diria mesmo que não tem interesse na presença dos munícipes.

O Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal vai insistir naquilo que propôs em diversas ocasiões e que consiste não só em dar a palavra aos munícipes no período antes da ordem do dia como no final, vai ainda insistir na sua proposta de descentralização da Assembleia, levando-a às sedes de freguesia e a  outros locais do nosso concelho. Vamos continuar a propor o Orçamento Participativo. Vamos propor a realização de referendos locais para assuntos importantes para o concelho, como seja o das chamadas uniões de freguesia que mais não foram do que imposições de freguesia. Neste caso vamos ainda trabalhar no sento de sejam repostas as freguesias de Gomes Aires e da Graça. Estou aqui também a lembrar-me do feriado municipal em que quando estava o PS à ferente da autarquia se comemorava a 17 de Abril, dia da atribuição por D. Dinis do primeiro foral a Almodôvar, depois vinha o PSD e passava para 24 de Junho, dia de S. João, conclusão… o povo já não sabia quando comemorar o seu feriado.

Estas são, entre outras, algumas das ideias que preconizamos há muito tempo e que defendemos em ocasiões anteriores, embora não necessariamente na Assembleia Municipal mas que nunca foram postas em prática. Sejam por terem sido rejeitadas pelas maiorias, seja por passarem completamente ao lado de políticos que, na sua procura constante de protagonismo e bem-estar pessoal, mais se preocupam em dar corpo a preconceitos e forma a fobias sociais diversas à custa de recursos que deveriam estar ao serviço do bem estar colectivo em detrimento de ideias e propostas que vão de encontro à resolução dos problemas do povo que representam.

E para finalizar quero só dizer que o bloco de Esquerda se preocupará em ouvir as necessidades da populações e das organizações do concelho, nomeadamente as associações, as empresas, incluindo as preocupações dos trabalhadores destas e não somente as administrações como é é habitual nos atuais e anteriores responsáveis políticos deste concelho.

Certamente que mais poderia ser dito mas entendo que mais importantes do que as palavras são as ações e para isso pode a Assembleia Municipal de Almodôvar contar connosco se o povo assim o entender a 1 de Outubro.

O povo, sim o povo, porque o povo é quem mais ordena.

Viva o Bloco de Esquerda

Viva Almodôvar

sábado, 10 de junho de 2017

10 de Junho de 2017 - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas



O dia de Camões surge como forma de glorificar o Poeta e a língua portuguesa. De feriado municipal passou a nacional, de dia da raça passou a comunidades portuguesas, da exaltação da guerra e do poder colonial passou a Portugal. Em 1978 converte-se em Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O que motiva a comemoração deste dia continua a ser o de realçar a importância de uma identidade cultural - a língua, a cultura, o património, o saber comprovado no tempo, feito de história e histórias!

Um povo é sempre a testemunha viva dessa mesma identidade cultural: dar relevo e preservar os aspetos que construíram a comunidade, e que são a base para a sua continuidade sustentável , é o legado estruturante de um futuro!

A identidade cultural afirma-se na expressão de um povo, seja através da escrita, seja da oralidade, dos usos e costumes - se a escrita do sudoeste ainda não foi descodificada, a oralidade é a prova da continuidade do saber, a transmissão de uma forma de ser - e Almodôvar tem as duas - uma pronúncia própria da realidade, do ver, do sentir, estar - do ser!
A expressão oral do quotidiano, essa comunicação que
 "não és mais do que as outras, mas és nossa e crescemos em ti. (...)"
como diz Vasco Graça Moura, é um dos aspetos de uma identidade cultural que deve ser preservada como memória coletiva: 


“Passar além da vida
Na obra vivida
Ainda é viver
O artista não morre
Na morte da vida
Criar é sobreviver.”


- versos de Severo Portela que, tão apaixonadamente, olhou para esta terra e para as suas gentes e imortalizou-as através da pintura.

domingo, 1 de maio de 2016

Dia 1 de Maio de 2016 - Dia do Trabalhador



1886 - 2016 – Cento e trinta anos depois e a luta tem de continuar!




Depois de quase século e meio os direitos dos trabalhadores continuam a ser, sistematicamente, atacados como se o trabalho por eles prestado devesse ser um dever sem compensação!

A precariedade no trabalho avança a um ritmo assustador, seja através de salários baixos, horário de trabalho, recibos verdes, horas extraordinárias, pressões, intimidações, etc. - as empresas pedem cada vez mais ao trabalhador e dão cada vez menos... E o contrato coletivo de trabalho é um documento para ficar na gaveta, esquecido, de modo a que não incomode.

O trabalho prestado tem uma remuneração, tem um conjunto de obrigações sociais e económicas que, quando não são cumpridas lesam o trabalhador, no presente e no futuro mas, também, o país: uns engordam, outros emagrecem, a corrupção instala-se e todos perdemos!

Este é o país que temos mas não é o país que queremos - queremos um país onde seja reconhecido o direito ao trabalho, os direitos do trabalho e que o trabalho e o trabalhador sejam reconhecidos como uma mais-valia, como impulsionadores económicos e sociais pois essa é a base do desenvolvimento.

No dia 1 de maio de 1886 meio milhão de trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos EUA, para exigir a redução do horário de trabalho para 8 horas diárias. A manifestação foi atacada pela polícia e 10 trabalhadores morreram. O resto do país estava em greve geral com a mesma exigência.

Desde então celebra-se o Dia do Trabalhador.

Desde esse dia que quem trabalha sabe que só juntos/as podemos mudar o mundo.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Legislativas 2015 - Proposta de Candidatura





Cristina Ferreira e Mariana Aiveca - Em Casa da Cultura de Beja.
Candidatas do BE no círculo eleitoral de Beja às Eleições Legislativas 2015.

Mais uma vez a Casa da Cultura de Beja acolheu, no passado dia 27 de Junho, um evento do Bloco de Esquerda. Desta feita, realizou-se no espaço BDTeca deste fórum, a Assembleia Distrital de Beja do Bloco de Esquerda que reuniu os representantes das Coordenadoras e Núcleos Concelhios, para votação da lista de candidatura pelo círculo eleitoral de Beja, e o respectivo programa de ação para as próximas Eleições Legislativas.


Cumprindo os critérios de paridade, abrangência geográfica e ação política, foi aprovada por maioria absoluta a seguinte lista de candidatos:




  • MARIANA AIVECA
  • JOSÉ PEDRO OLIVEIRA - Beja
  • CRISTINA FERREIRA - Almodôvar
  • PEDRO GONÇALVES - Odemira
  • INÊS MONTEIRO - Beja
  • CARLOS VALENTE - Serpa

O Núcleo Concelhio de Almodôvar do Bloco de Esquerda, congratula a candidata Cristina Ferreira pela coragem de integrar esta equipa assim como a sua vontade em representar o nosso concelho. Está, pois, confiante que os cidadãos almodovarenses e os do distrito de Beja, saberão dar o seu reconhecimento a estes candidatos.


sexta-feira, 1 de maio de 2015

1º de Maio


Significado e história do 1° de maio, Dia do Trabalhador





1 de maio é o Dia do Trabalhador, data que tem origem a primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago, e numa greve geral em todos os Estados Unidos, em 1886. Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial. São os factos históricos que transformaram 1 de maio no Dia do Trabalhador. Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir seus direitos, apenas trabalhavam.


No dia 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado, e um anos depois a Rússia fez o mesmo.

No Brasil é costume os governos anunciarem o aumento anual do salário mínimo no dia 1 de maio.

No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário por tratar-se do santo padroeiro dos trabalhadores.

Em Portugal, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional. Mas as ações do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.

Com as alterações qualitativas assumidas pelo sindicalismo português no fim da Monarquia, ao longo da I República transformou-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado. O 1.º de Maio adquiriu também características de ação de massas. Até que, em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.

Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial em Angola, são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo. Nesse período, apesar das proibições e da repressão, houve manifestações dos pescadores, dos corticeiros, dos telefonistas, dos bancários, dos trabalhadores da Carris e da CUF. No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.

Ficarão como marco indelével na história do operariado português, as revoltas dos assalariados agrícolas dos campos do Alentejo, que tiveram o seu grande impulso no 1.º de Maio de 62. Mais de 200 mil operários agrícolas que até então trabalhavam de sol a sol, participaram nas greves realizadas e impuseram aos agrários e ao governo de Salazar a jornada de oito horas de trabalho diário.

Claro que o o 1.º de Maio mais extraordinário realizado até hoje, em Portugal, com direito a destaque certo na história, foi o que se realizou oito dias depois do 25 de Abril de 1974.


(Fonte: http://pt.euronews.com/2015/04/30/significado-e-historia-do-1-de-maio-dia-do-trabalhador/ )