sexta-feira, 20 de julho de 2018

Cristina Ferreira - Crónica ( XXX )







CAIXA ALTA XXX

Rádio Castrense 93.0 fm - 6ª Feira 




Morreu João Semedo. Figura incontornável da história do Bloco de Esquerda e da política nacional.


Defendeu, como poucos, o Serviço Nacional de Saúde: médico de profissão, as políticas de saúde sempre estiveram presentes na sua atividade política e profissional - diretor do Hospital Joaquim Urbano, no Porto, nove anos de atividade parlamentar em que assumiu a coordenação dos temas relacionados com a política de saúde, sendo vice-presidente dessa comissão parlamentar. A lei do testamento vital, bem como a introdução na lei do conceito de "tempo de espera" e a imposição de limites a esse tempo, incluído na Carta de Direitos dos Utentes do Serviço Nacional de Saúde foram algumas das conquistas que o Bloco de Esquerda conseguiu trazendo melhorias significativas para os utentes bem como nos serviços prestados.

O ano de 2015 deu o melhor resultado eleitoral para o Bloco de Esquerda em eleições legislativas mas, para João Semedo, foi um ano de luta contra o cancro que lhe tirou as cordas vocais.


A vontade de intervenção política manteve-se e a prova disso foi o combate pelo direito a morrer com dignidade que o levou a diversos locais do país - esteve em Beja, na Casa da Cultura, em março de 2017, apresentando o projeto e defendendo esse direito a uma morte digna e à despenalização da morte assistida.

Por diversas vezes veio ao distrito de Beja, manifestando sempre a preocupação para com as questões de saúde no Alentejo, particularmente as do distrito - visitou os hospitais de Beja e Serpa, a Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Casével, o Centro de Saúde de Castro Verde, a Ordem dos Médicos em Beja; participou, também, no debate "Que rede de cuidados de saúde?" na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Beja, recolheu assinaturas para a despenalização do aborto, visitou a Junta de freguesia de Casével.

No âmbito da 9.ª Convenção Nacional do Bloco de Esquerda veio a Beja apresentar a Moção U e Mariana Aiveca a Moção E.

A sua postura calma e ponderada, bem como a certeza do caminho a seguir foram sempre uma constante - a luta foi travada em duas frentes: a política e a pessoal mas como ele próprio afirmou:


“Tive a vida que escolhi, a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa no que foi importante. Segui sempre a minha intuição, nunca me senti a fazer o que não queria. Sim, fui muito feliz, sou e acho que continuarei a ser”.










Até sempre camarada!








20/07/2018
Cristina Ferreira

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Cristina Ferreira - Crónica ( XXIX )





CAIXA ALTA XXIX

Rádio Castrense 93.0 fm - 6ª Feira 




Decorreu no dia 8 de julho, em Felizes, freguesia de S. Barnabé, uma sessão de esclarecimento sobre a atividade parlamentar do Bloco de Esquerda, com o deputado João Vasconcelos.


Esta sessão de esclarecimento vem na sequência do pedido efetuado pela população no comício efetuado na campanha para as eleições autárquicas de 2017, que manifestou interesse em conhecer um deputado da Assembleia da República já que é o voto do povo que os elege. 

O Bloco de Esquerda que, além de apresentar o seu programa eleitoral, tem a preocupação de ouvir o que as pessoas têm para dizer e procura atender às suas expectativas, conseguiu levar um deputado da Assembleia da República àquela localidade - esta foi, segundo a população, a primeira vez que um deputado da nação esteve naquela localidade.




Nesta sessão, foram ouvidas várias questões pertinentes, respondidas de imediato, na sua maioria,  pelo deputado João Vasconcelos. Entre estas, destacam-se as que se relacionam com a proteção da produção e comercialização dos produtos serranos tradicionais, nomeadamente o mel e o medronho, nas vertentes do fabrico, transporte e comercialização; esta questão em particular é muito importante para a sobrevivência económica das gentes da serra, sendo em alguns casos a única fonte de rendimento. Relembre-se que a região ainda passa por um período de depressão económica por conta dos incêndios de 2004 que delapidaram a então principal fonte de rendimento, a cortiça.



Também foi abordada a necessidade de desenvolver uma rede hídrica, baseada em barragens, de modo a suprir a atuais necessidades de abastecimento para consumo humano e rega e, ainda, com capacidade para suportar períodos de seca extrema e abastecimento de aeronaves de combate a incêndios.

As redes viárias e as de abastecimento de energia elétrica são, também, motivo de preocupação destas gentes: é incompreensível que ao lado de diversos aerogeradores, as localidades serem deficitariamente abastecidas, tanto em potência como em continuidade; é também incompreensível que as estradas principais de acesso tenham tão más condições de piso, traçado sinuoso e estreito.

Segundo os mais jovens, a educação, no concelho, deveria ser mais aliciante, com maior diversidade de oferta formativa, e que permitisse a conclusão, no concelho, do percurso escolar obrigatório.



Esta aldeia, dado o envelhecimento da população, lamenta que o Centro de Saúde de Almodôvar não tenha um Serviço de Urgências, que permita um socorro mais eficaz e rápido a todos aqueles e aquelas que dele necessitam, obrigando, assim, a recorrer a serviços médicos fora do concelho. Mesmo nas situações de consultas e de acompanhamento médico, as soluções disponíveis não atendem cabalmente as necessidades.

Também a habitação, tanto na vertente da construção como da recuperação, é fator que merece atenção face às condicionantes ecológicas e ambientais que esta zona apresenta, e que é mais um fator de desmotivação para a fixação de população.

Estas foram as contribuições mais relevantes.

Constata-se, assim, que em Felizes, a população tem a perfeita noção do conjunto de problemas que afetam a sua localidade e o concelho, como tem, também, a capacidade de apresentar, de forma crítica, soluções e melhorias a implementar.

Haja quem realmente os ouça!

Da parte do deputado João Vasconcelos fica o compromisso de levar estas questões às respetivas comissões e grupos de trabalho parlamentar, para se conseguir o respetivo apoio legislativo e jurídico na análise e resolução das mesmas.


13/07/2018
Cristina Ferreira