domingo, 10 de dezembro de 2017

Cristina Ferreira - Crónicas ( I )


CAIXA ALTA I


Esta primeira crónica aborda quatro  greves, em  três setores diferentes,     mas com o mesmo objetivo - Reconhecer dignidade e respeito ao trabalho e trabalhadores.

O direito à greve é o  meio que os trabalhadores usam para manifestarem o seu descontentamento e reivindicarem os seus direitos  face a situações laborais que os penalizam. Enquanto sujeitos laborais são uma mais valia para as empresas - o lucro- , enquanto sujeitos reivindicadores são prejudiciais à empresa! Vistos na perspetiva de produtores de mais valias a tónica cai sempre na empresa e não nos direitos dos trabalhadores.

Os trabalhadores e trabalhadoras da Somincor,  - mineiros e operadores das lavarias - já realizaram o segundo momento de greve - reivindicando horários mais humanizados, o fim da laboração contínua  e o reconhecimento da profissão  de operador de lavaria como sendo de desgaste rápido - Querem dignidade e respeito por quem trabalha.

Estes dois momentos de greve  pararam  a laboração das lavarias e grande parte da cadeia de produção mas a luta continua pois a empresa também quer eliminar direitos consagrados pelo  Contrato Coletivo de Trabalho. Espera-se que as negociações reflitam  as pretensões dos trabalhadores que querem, no fundo, melhor qualidade de vida. Como lutam por dignidade e respeito, primeiro que por dinheiro, parece ser mais difícil o entendimento de valores que o lucro, o capital, dificilmente  reconhece.

Os trabalhadores da Almina, em Aljustrel,   exigem melhores condições de segurança, salários dignos  e horários mais humanizados para os operadores de lavaria   - Querem dignidade e respeito por quem trabalha.
  
Esta greve na empresa  Almina tem a duração de 4 dias e  já parou a produção. Manifestaram-se, também,  nas ruas de Aljustrel de modo a dar mais visibilidade a este conjunto de reivindicações.

Os professores querem o descongelamento  de 9 anos da carreira docente,  entre outras reivindicações, para poderem progredir e, claro a remuneração correspondente ao reposicionamento na mesma - Querem dignidade e respeito por quem trabalha.

Durante nove anos trabalharam, e esse tempo deve ser contado mas  o governo diz que o valor implicado neste "descongelamento"  é muito elevado - 600 milhões de euros; salvar o BES custou aos contribuintes  6000 milhões de euros e, sendo assim, não foi caro.
  
Os Técnicos Superiores  de Diagnóstico e  Terapêutica  querem a progressão na carreira e o respetivo posicionamento, algo que esperam desde 2009, bem como o cumprimento das quotas de 30% para lugares de topo de carreira , tal como tinha sido acordado inicialmente mas,  em Conselho de Ministros, essa quota foi diminuída para 15% -  Querem dignidade e respeito por quem trabalha

Estão desde o dia 2 de novembro em greve, somente assegurando os serviços mínimos, e 400 técnicos realizaram uma vigília em frente à Assembleia da República no dia 20 de novembro;  arriscam-se a  terem salário zero mas continuam a lutar pelo reconhecimento do trabalho que fazem diariamente  e pela progressão na carreira. 
No distrito de Beja a adesão  foi de 100%, ficando somente assegurados os serviços mínimos. 

Independentemente da diversidade das razões que levam os trabalhadores e trabalhadoras  à greve, todas têm o mesmo objetivo comum: ver reconhecido o valor do trabalho, o esforço realizado, a dignidade de quem sustenta o país  com  o esforço diário.

O  trabalhador não é caro, caras são as políticas que se praticam e que retiram direitos aos trabalhadores e protegem a finança e o lucro.

Antes de terminar quero só deixar duas notas: 

A primeira - O Orçamento de Estado para 2018 é o primeiro em que não há cortes contra a Constituição da República Portuguesa.

A segunda - Assembleia Municipal, em Almodôvar, hoje dia 24, pelas 21 horas, a primeira desde as eleições de 1 de outubro , que discutirá diversos pontos da ordem de trabalhos. Espera-se que esta assembleia, maioritariamente PS, assuma com responsabilidade o seu papel deliberativo e fiscalizador. De realçar que, na ordem de trabalhos, não há referência à atual luta dos mineiros, isto num município com elevado número de trabalhadores na Somincor, o que até sustentou a argumentação para receber a derrama, e que pretende inaugurar brevemente uma estátua de homenagem aos mesmos. 

Bom fim de semana para todas e todos.

24/11/2017

Cristina Ferreira