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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Agricultura no Mundo Desenvolvido - Uma reportagem Euronews


"Nos campos europeus, há homens e mulheres a trabalhar durante horas a fio, sob sol escaldante ou debaixo de chuva, para cultivar e colher as frutas e vegetais que muitas vezes tomamos por garantidos.

À medida que a pandemia do coronavírus se espalhou pela Europa, aqueles que trazem comida para os nossos pratos tornaram-se subitamente visíveis, sendo mesmo considerados "trabalhadores essenciais". No entanto, os seus direitos laborais e condições de vida têm sido negligenciados ao longo de décadas."

"Os trabalhadores invisíveis da Europa" é uma reportagem Euronews que expõem as fragilidades de uma política económica e agrícola comum que desvia o olhar das pessoas e dos seus problemas, tornando ambos invisíveis.
 
Apesar de Portugal não ter sido retratado na foto Europeia das condições miseráveis que oferece aos trabalhadores agrícolas migrantes, podemos ver perfeitamente nos casos de Espanha e França, o que também acontece por cá.

O visionamento desta reportagem e subsequente reflexão permite-nos ganhar consciência sobre o tanto que há para fazer nesta área, a começar nos olivais e amendoais intensivos e superintensivos do Alqueva e a acabar nas estufas do Perímetro de Rega do Mira em pleno Parque Natural...

A sazonalidade, a precariedade, a escravatura e exploração laboral, sexual, racial, etc são a tónica deste trabalho.




(Divulgação de reportagem Euronews)
Editado por Filipe M Santos com apoio de Fátima Cabeleira Teixeira 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Cristina Ferreira - Crónicas II (25JAN2019)


Crónica 8.ª

(Caixa Alta S2 - 25JAN2019)

Olho para a capa do Diário do Alentejo de hoje e a imagem da plantação de um olival, juntamente com a notícia de que se estima que na campanha da azeitona haja mais 20 mil imigrantes por legalizar, lembra-me que as questões sociais, ambientais e económicas ainda estão muito longe de uma resolução neste distrito, ou melhor, agudizam-se cada vez mais.

Se a questão do olival intensivo continua a ser tema de preocupação, não só pelo facto de ocupar 60% da área de regadio mas, também, pelos problemas ambientais associados à cultura do lucro e exploração, o que dizer de 20 mil pessoas que trabalham em condições precárias, em situação de escravatura ou perto disso, com salários reduzidos, se é que salário se pode chamar ao que recebem. 

O que dizer de todos aqueles e aquelas que teimam em ficar, que resistem e que continuam a levantar a voz para que o Alentejo, o distrito de Beja tenha condições para os seus? 

É este o Alentejo que queremos? É esta a imagem a guardar no baú das memórias? 

A tristeza de uma terra explorada até à exaustão, de gentes envelhecidas pelo tempo e dureza do trabalho, esquecida pelos senhores de Lisboa, fica à mercê de intempéries económicas, de explorações sem regras, desprovida de força e de voz. 

Se o aeroporto de Beja tivesse sido a preferência em vez do Montijo de certeza que teria causado mal-estar nalguns senhores que teriam que desembarcar aqui em vez de na grande cidade, porque teriam que fazer alguns kms e horas em viagens naquele a que chamam deserto. Mas o maior mal-estar seria ter que dar a esta região, a merecida projeção e atenção, dinamizá-la, contrariar o desemprego e o desinvestimento, combater o despovoamento e o envelhecimento da população. 

Mas...

Continua-se com o olival, as estufas e agora já se fala na produção de pistachos, mas depois não se implementam empresas que deem continuidade ao processo, à transformação, embalamento, distribuição ou outros.  

As políticas de investimento, apoio e dinamização não são para todos. 

Enquanto se olhar para o país nesta perspetiva de que só se investe em algumas áreas e regiões, o distrito de Beja será relegado para segundo plano - continuaremos a debater-nos com problemas ambientais, económicos e sociais. 
Haja vontade de todos nós de mudar paradigmas e políticas!



Caixa Alta, Rádio Castrense

Cristina Ferreira, 25/1/2019