sábado, 25 de setembro de 2021

"MORREU UM MINEIRO...



Fará amanhã um ano que o Bloco de Esquerda – Almodôvar, escrevia assim:

“ Morreu um mineiro.

Não daqui de Almodôvar, era de uma terra vizinha, mas é igual, morreu!

Numa terra de mineiros onde temos família ou amigos e até conhecidos que trabalhe numa mina, não há quem não sinta.

[…]

Mas uma terra de mineiros não estremece só com as detonações...

Estremece com tudo e principalmente com isto, […].

Uma terra de mineiros estremece porque um mineiro é como um familiar que voltará à mina com o coração nas mãos e o pensamento que poderia ter sido com ele.

Numa terra de mineiros, todos sentimos a mina... ”

Esta foi a mensagem de condolências dirigida à família de Sérgio Delfino, mineiro em Neves-Corvo pela trágica e repentina perda do seu ente querido, e que recordamos no aniversário do seu falecimento.

À família enlutada, renovamos o voto de condolências e solidariedade que se apraz.

 

  

O Núcleo Concelhio do BE de Almodôvar,

Almodôvar, 25 de setembro de 2021 


sexta-feira, 30 de julho de 2021

Cristina Ferreira - Crónicas IV (30JUL2021)


 

JÁ SE SENTIU ESPIADO PELO SEU TELEMÓVEL?

 

No artigo publicado no “Jornal de Notícias” a 27 de julho de 2021 Mariana Mortágua coloca a pergunta: Já se sentiu espiado pelo seu telemóvel?

Parece contraditório que sociedades que tanto prezam o segredo bancário e profissional, facilmente concebam a transformação de informações pessoais e políticas em produtos comerciais. A contradição é apenas aparente, já que tudo é, afinal, um negócio ao serviço dos grandes poderes.

Pegasus. Assim se chama o software de espionagem mais invasivo do Mundo, utilizado por serviços secretos de vários países para vigiar jornalistas, organizações não governamentais, académicos, líderes religiosos e membros de governos. Ao todo, segundo a investigação divulgada pelo jornal "The Guardian", em que participou também a Amnistia Internacional, são mais de 50 000 entidades vigiadas, muitas de forma ilegal.

O método é assustadoramente simples. O Pegasus entra nos telemóveis como um vírus, passando a ter acesso a todos os movimentos do seu utilizador, a todas as horas. E não é pouco o que um telemóvel pode contar, se pensarmos no poder deste software para gravar chamadas telefónicas ou conversas tidas ao alcance do microfone do aparelho, para usar a câmara e aceder às fotografias, mas também e-mails, mensagens ou pesquisas de Internet.

Na origem do dispositivo está a israelita NSO, uma das muitas start-ups que, sob a capa de "combate ao terrorismo", desenvolvem os mais sofisticados dispositivos securitários. Não é por acaso que Israel, um dos estados mais militarizados do Mundo, que promove uma violenta perseguição ao povo palestiniano, acolheu muitas destas empresas. Não são novas as denúncias de obtenção ilegal de informações pessoais junto de palestinianos, que depois eram utilizadas em todo o tipo de chantagens e ameaças destinadas a desestabilizar os territórios ocupados.

Sobre a desculpa esfarrapada desta empresa milionária, que diz servir o combate ao terrorismo, a Amnistia Internacional responde que a "NSO Group não pode continuar a garantir que os seus produtos só são utilizados contra delinquentes quando mais de 3500 ativistas, jornalistas, opositores políticos, políticos estrangeiros e diplomatas têm sido selecionados... não há dúvida de que o seu software espião é utilizado para exercer repressão à escala mundial: as provas são irrefutáveis".

Mas a Amnistia vai mais longe, ao denunciar a existência de um mercado de ciberespionagem fora de controlo, que opera à margem da legalidade, em violação grotesca de direitos fundamentais, ao serviço de estados, serviços secretos e, quem sabe, até de empresas privadas.

Em Portugal, a utilização destes mecanismos é proibida. O que não impede que existam portugueses espiados pela NSO. E isto sem falar, é claro, naquela sensação estranha ao vermos no telemóvel um anúncio a um produto que já tínhamos referido em conversa...

Parece contraditório que sociedades que tanto prezam o segredo bancário e profissional, facilmente concebam a transformação de informações pessoais e políticas em produtos comerciais. A contradição é apenas aparente, já que tudo é, afinal, um negócio ao serviço dos grandes poderes.

Artigo publicado no “Jornal de Notícias” a 27 de julho de 2021

Mariana Mortágua - Deputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Economista.

 

Caixa Alta, Rádio Castrense

Cristina Ferreira, 30/07/2021