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sábado, 6 de janeiro de 2018

Cristina Ferreira - Crónicas ( VII )




Este país não é para todos, infelizmente!



Entrámos em 2018 com grandes novidades, ou talvez não!

Está na ordem do dia o encerramento de algumas estações dos CTT - Correios de Portugal e consequentes despedimentos que só demonstram que a história das privatizações, na maioria das vezes, é ruinosa mas isso não impede que se continue a querer privatizar.

Três anos bastaram para que os CTT contribuíssem para a degradação dos serviços e, como diz Joana Mortágua, a única carta que chega a horas é a que leva os cheques com a choruda distribuição de lucros aos acionistas.

Apesar de alegarem a existência de uma crise para justificar o encerramento de mais 22 estações e a redução de mais de 800 trabalhadores, os acionistas meteram ao bolso 90% dos lucros da empresa.


Os acionistas aproveitaram a privatização de um serviço público para criar um banco comercial com uma rede de balcões imbatível no território nacional.

Grande negócio!!!!

Entretanto, nas zonas rurais, o carteiro passa uma vez, isto se for uma boa semana.

Rouba-se um serviço que deveria ser público, rouba-se qualidade e impede-se as pessoas de aceder aos serviços.

Haja sensatez e vergonha!

Se por estas bandas os CTT ainda permanecem, será que a onda de encerramentos demora a chegar?

No distrito de Beja nenhuma estação, por enquanto, fechará mas só pelo facto de que a empresa tem que garantir o serviço e requisitos de densidade geográfica exigidos pelo serviço universal, ou seja, garantir os serviços mínimos.

Por enquanto estamos safos!

Por Almodôvar outros cenários se desenham: estão abertas as inscrições para o Programa de Ocupação Municipal de Desempregados de Longa Duração; este abrange no máximo quinze candidatos, pelo período de nove meses, que se encontrem em situação de desemprego de longa duração.

Até aqui tudo bem!

Mas se o objetivo deste programa é, como se diz no regulamento específico, contribuir para a formação humana e profissional, e posterior reintrodução no mercado de trabalho, bem como melhorar a situação económica dos participantes neste programa, qual a lógica de atribuir uma Bolsa Mensal que se destina apenas a fazer face a despesas que surjam do desenvolvimento das atividades pelos participantes?

Será que não é possível dar o valor justo pelo trabalho efetuado?

Se o Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2018 do município de Almodôvar, no valor de 12 milhões de € é, como diz o presidente da câmara, e cito, "um orçamento virado, uma vez mais, para as pessoas, assim como para o desenvolvimento económico e social do concelho", então este programa poderia, e deveria, ser reforçado.

Nas palavras do presidente da câmara, António Bota, "a vertente financeira, que não sendo muito significativa, será mais um estímulo para que este projeto tenha o êxito que pretendemos, que passa essencialmente por dar dignidade e ocupar de forma terapêutica todos os nossos concidadãos que infelizmente não têm trabalho".

Terapêutico seria ter trabalho e digno seria receber o que é justo pelo trabalho efetuado, ideal, digo eu, seria uma efetiva reintegração no mercado de trabalho.

Tal como referi no debate na Rádio Castrense, aquando das eleições autárquicas 2017, e a propósito da criação de emprego, este tipo de programas não proporciona nem a resolução do problema da falta de emprego, nem tira as pessoas da precariedade laboral, nem dá independência económica.

Continuo a fazer a mesma pergunta que fiz na altura: que tipo de contrato de trabalho é que se quer fazer com as pessoas?


Bom fim de semana!





05/01/2018

Cristina Ferreira

sábado, 21 de junho de 2014

Nota Informativa JUN/2014-03

Escola Básica 1º Ciclo de Almodôvar ::: foto de João Ornelas
"A seguir tiram-nos o quê?"

Esta foi a pergunta do Bloco de Esquerda, feita no Comunicado à população em Março de 2012. Nele, discriminaram-se os serviços encerrados, como o Serviço de Urgência do Centro de Saúde de Almodôvar, os que soavam estar para fechar, como o Tribunal, e ainda aqueles como as Finanças, os Correios e a Segurança Social que tinham elevado potencial para vir a desaparecer na razia da Austeridade defendida pelos PS, PSD e CDS. Tudo isto a par da anunciada extinção das freguesias de Gomes Aires e de Graça de Padrões.
Lamentavelmente, o Bloco de Esquerda, assim como os munícipes de Almodôvar, viu concretizar, através da agregação das freguesias de Gomes-Aires e Senhora da Graça de Padrões com Santa Clara-A-Nova e Almodôvar, respetivamente, a extinção forçada de freguesias.
Vê a progressiva deslocalização de serviços, em favor das muito duvidosas opções mais económicas, como é o caso do moribundo Centro de Saúde de Almodôvar. É o caso, também, do Serviço de Finanças (que na presente data mantém adiada a data de encerramento) e também do Tribunal de Almodôvar, que a manter-se na presente localização, acabará fechado no final do ano.
Mas a voragem capitalista e neoliberal não fica por aqui e estende-se também à educação, sendo o contínuo encerramento de escolas, a sua parte mais visível.
Depois da primeira vaga de encerramentos de Escolas Básicas de 1º Ciclo em Semblana, Gomes-aires, é agora a vez de dar fecho às de Telhada e de Santa Clara-A-Nova que, curiosamente, já vinham sendo listadas para fechar juntamente com as escolas da vaga de Agosto de 2010.
Nuno Crato, Ministro da Educação e Ciência na atual legislatura PSD/CDS, é talvez o ministro recordista de velocidade no encerramento de escolas. Pouco mais de um mês depois de ser empossado, deu ordem para fechar 239 escolas e no ano seguinte (o 2º ano de mandato) ultrapassou as 500 ao assinar o encerramento de mais outras 297.
Depois do interregno do ano lectivo 2012-2013, Nuno Crato, para igualar ou ultrapassar os mais de 700 encerramentos da antecedente ministra da educação do governo PS, Isabel Alçada, prepara-se agora para dar aval ao encerramento de novo lote de escolas básicas do 1º ciclo que rondará os 200 e no qual se incluem as Escolas Básicas do 1º Ciclo da Telhada e de Santa Clara-A-Nova.
É por isso que o B.E. não estranha as posições “indefinidas” dos nossos governantes e representantes municipais. Se por um lado o PS local levanta punho em protesto contra o encerramento de escolas, por outro, tem o rabo preso porque enquanto foi governo deu curso ao programa de encerramento de escolas, de David Justino, iniciada no governo PSD/PP de Durão Barroso e Paulo Portas. Outros ainda, agora autodenominados Independentes, porque também agiram em conluio quando estavam “dependentes” das siglas PSD, mantêm-se dissimuladamente sem opinião e aguardam que o momento político se lhes volte de feição, talvez prevendo novos encerramentos de escolas e de serviços até novas eleições autárquicas.
O Que o Bloco de Esquerda estranha é a unanimidade das forças políticas que dirigem os destinos do nosso concelho em fazer retirar da ordem de trabalhos da reunião ordinária de 21 de Maio da Câmara Municipal, uma Moção que publicamente repudiaria a decisão do encerramento dos estabelecimentos de ensino da Telhada e Santa Clara, com “medo” de que esta pudesse inviabilizar as conversações com o Ministério da Educação, conforme se pode concluir na leitura da Ata n.º 13/2014, sendo que este organismo, na pessoa do Sr. Ministro Nuno Crato, assumiu publicamente disponibilidade para negociar com os municípios apenas no sentindo das suas propostas virem a considerar fechar escolas com mais de 21 alunos.
São estas as negociações com o Ministério da Educação e Ciência que a Câmara de Almodôvar espera concluir?
O Bloco de Esquerda entende que apenas e só, através do uso pleno do direito de cidadania dos seus munícipes, é que Almodôvar poderá aspirar a desenvolver-se. O direito de cidadania, expressa-se para além dos boletins de voto. É expresso, também, na capacidade que o cidadão tem de interagir socialmente. Afastar os cidadãos, cada vez mais, dos pilares que sustentam os princípios de cidadania, como sejam a Saúde, a Educação, a Justiça, diminuirá a sua capacidade para exercer esse direito.