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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Cristina Ferreira - Crónicas ( XI )








Sim à reversão da extinção das freguesias!




Do Congresso da Associação Nacional de Freguesias, a ANAFRE, que se realizou no passado fim de semana, em Viseu, saiu a decisão de recomendar ao governo e Assembleia da República que legisle rapidamente no sentido de reverter a efetiva extinção das freguesias.

Assim os órgãos deliberativos são chamados a pronunciar-se sobre esta reversão, de modo a avaliar o resultado das experiências entretanto vividas e propor soluções diversas para a continuação ou reversão do processo ocorrido em 2013.

Em 2013 o processo foi controverso e mereceu forte contestação da população e de alguns autarcas.

O Bloco de Esquerda sempre defendeu que deveriam ser as pessoas a decidir se queriam ou não a união de freguesias!



Em Almodôvar, O Bloco de Esquerda, através do seu deputado na Assembleia Municipal, propôs a realização de um referendo de modo a que as populações manifestassem a sua vontade relativamente à união de freguesias. A proposta foi recusada com os votos contra do PSD, abstenção do PS e voto a favor do Bloco de Esquerda.

Grave quando se impede que as pessoas manifestem a sua opinião mas igualmente grave quando o então presidente da Junta de Freguesia de Graça dos Padrões votou a favor da extinção da junta de freguesia para a qual tinha sido eleito.

Agravaram-se os problemas com que as freguesias se deparavam e não houve poupança para o Estado como se apregoava. Paralelamente os princípios e formas de participação democrática, próprios do poder local, foram desrespeitados.

As freguesias são as que conhecem as pessoas, as suas necessidades, as dinâmicas, o território, são, e devem ser, os atores ativos de intervenção junto das pessoas e território.

Num concelho como Almodôvar, com caraterísticas humanas e geográficas muito próprias, as freguesias, enquanto representantes da esfera pública e dos serviços por esta prestados, devem ser o primeiro interventor e solucionador dos diversos problemas.

Assim, e perante o novo panorama da reversão da extinção das freguesias, coloca-se de novo a questão: como vamos saber a opinião das pessoas? Como vai ser feito o processo de auscultação das populações? Será que vai haver processo de auscultação?

Seja qual for a resposta há algo que tem que ser tido em conta: não fundamentar a opinião pelo executivo que está à frente da Junta de Freguesia mas, sim, pelo futuro que se quer para a freguesia e suas gentes. Dois motivos tão diferentes que comprometem a manutenção ou não da freguesia, e que não se sabe se haverá outra hipótese de o reverter.

Para o núcleo do Bloco de Esquerda de Almodôvar esta resposta sempre foi muito clara: voltar a ter oito freguesias pois essa é a melhor forma de representar a democracia e de manter uma grande proximidade com o poder local. Mas, claro, que quem tem a palavra final são os fregueses.

Que esta nova oportunidade represente um reforço de competências , de meios para que haja um impulso participativo das próprias autarquias quer ao nível da prestação de serviços, da eficácia e eficiência da gestão pública, da representatividade e vontade política da população, da história e identidade cultural das suas gentes e território.


Bom fim de semana


02/02/2018

Cristina Ferreira

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Nota Informativa - NOV/2013

União de freguesias: controverso! União de municípios em andamento....

Após o processo (nada democrático) da união de freguesias eis que se avizinha uma reforma do estado, ou melhor, um ataque ao poder local democrático: a agregação de municípios.


A agregação de municípios, prevista no guião de orientações para a reforma do estado, deixa cada vez mais longe a população do apoio que os municípios prestam.

Num país que só que só tem dois patamares de poder, o central e o local, qual é o futuro que se avizinha para todos aqueles que ficarem nos municípios agregados?

Qual é o critério para a agregação?

O querer do povo ou a régua e esquadro como foi o caso da união de freguesias?

O município de Almodôvar perdeu duas freguesias, o centro de saúde com urgências, as finanças, a segurança social.... Será a perda do seu estatuto como município a próxima?

O Bloco de Esquerda de Almodôvar defende a realização de um referendo, à semelhança da sua posição para a união de freguesias, no sentido de auscultar a vontade da população do concelho de Almodôvar sobre a agregação, ou não, de municípios de modo a que seja esta a pronunciar-se sobre o futuro do concelho.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

DISCURSO 25 de ABRIL (2013)







Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Municipal,

Senhoras e Senhores Deputados Municipais,

Senhor Presidente da Câmara,

Senhores Vereadores e

Cidadãs e Cidadãos do concelho de Almodôvar.




Trinta e nove anos passam hoje sobre o dia que marcou o fim de uma ditadura fascista que submeteu o povo português à miséria, ao atraso, à repressão e a uma cruenta guerra colonial onde acabou por germinar a semente da revolta que despoletou o 25 de Abril.

Ao celebrar mais um aniversário de Abril, importa não esquecer esses tempos tristes e cinzentos, que os atuais poderes internos e externos, parecem querer ressuscitar.

As mulheres não tinham direito ao voto e ganhavam em média menos 40% do que os homens. O desemprego e a fome eram uma chaga permanente nos campos do Alentejo.

Existia a odiosa PIDE/DGS e milhares de presos políticos, submetidos à tortura como forma regular de interrogatórios, por vezes até à morte.

A censura castrava a informação livre e  a cultura. Ter opiniões diferentes do regime era considerado crime e custava a perseguição a todos e a todas  que a manifestassem.

A taxa de analfabetismo rondava os 33 por cento e a de mortalidade infantil situava-se nos 38 por mil.

Os direitos à educação, à saúde e à proteção social não eram universais, mas restritos a uma minoria com dinheiro para os pagar.

Eis um breve retrato do Portugal salazarento que se prolongou com as “conversas em família” de Marcelo Caetano, numa televisão a “preto e branco”, dizendo que “ tinha acabado o tempo das vacas gordas” e havia que fazer sacrifícios.

Segundo o ditador, era uma situação inevitável,a alternativa seria o caos, a anarquia!

Mas, afinal, havia alternativa.

E esta não era o caos, mas a libertação iniciada em 25 de Abril de 1974. Portugal renasceu das cinzas e rebentou “as portas que Abril abriu”.

O ensino público prosperou, reduzindo-se de forma exemplar o analfabetismo.

O Serviço Nacional de Saúde para todos e a drástica redução da taxa de mortalidade infantil elevaram Portugal aos níveis mais elevados do desenvolvimento humano.

Desenvolveram-se direitos do trabalho, generalizaram-se os subsídios de férias e de Natal, o subsídio de desemprego e outros mecanismos de proteção social.

O Poder local democrático, independente do Poder Central, levou à redução  das desigualdades sociais e territoriais entre o campo e a cidade, o litoral e o interior.

Todas estas conquistas democráticas, económicas e sociais foram possíveis pondo em prática uma ideia simples da “Grândola, Vila Morena”: 


O POVO É QUEM MAIS ORDENA!

Trinta e nove anos depois desse 25 de Abril de 1974, o Povo Português vive, sem margem para dúvida, um dos momentos mais críticos e difíceis da sua longa História.

O maldito memorando assinado com a troika pelo PS, PSD e CDS para tapar o buraco do BPN e outros provocados pela especulação financeira nacional e internacional vem provocando a desgraça dos trabalhadores, do povo e do país.

A reação vingativa ao chumbo de quatro medidas do Orçamento para 2013 pelo Tribunal Constitucional comprova que este é um governo fora da lei que já só tem o apoio da troika e de Cavaco Silva. A sua permanência no poder é hoje tão insuportável como a austeridade que mergulhou o país na recessão e no desemprego e aumentou a dívida.

Anunciam-se cortes acima de 4 mil milhões no Estado Social e dezenas de milhares de despedimentos na função pública que, a somar a mais de um milhão de desempregados, farão disparar a taxa de desemprego para a casa dos 20%, com cortes sucessivos no subsídio de desemprego e nas prestações sociais.

Os efeitos desta política de terra queimada fazem-se sentir em todos os setores, do comércio local à agricultura, à educação e à saúde: aumentos de custos para os utentes, destruição de carreiras profissionais, encerramento ou privatização de serviços para  engordar os negócios de bancos e seguradoras, à custa da nossa saúde.

Também a democracia local corre graves riscos, com leis sucessivas que asfixiam a autonomia política e financeira das autarquias, centralizam ainda mais o poder e visam acabar de vez com a Regionalização. E a extinção de mais de mil freguesias prepara a de dezenas de municípios, se este governo não for derrubado com caráter de urgência.

Não posso deixar passar em branco a vergonha que teve lugar no concelho de Almodôvar. A extinção das freguesias históricas de S. Sebastião de Gomes Aires e daquela que, junto com a sua vizinha S. Barbara, formaram em tempos o concelho de Padrões, sim essa mesma, a da Graça, com os votos dos deputados municipais do PSD. Mas a  maior vergonha neste regresso ao 24 de Abril no concelho de Almodôvar, foi o Presidente desta Junta ter votado  nesta Assembleia Municipal, a extinção da sua própria freguesia, fazendo o “trabalho sujo” que só pode merecer os agradecimentos do ex-ministro Relvas, outra nódoa na democracia.

Hoje ressaltam ainda mais as razões que levaram o Bloco de Esquerda a propor a esta Assembleia, a realização de um referendo local sobre a extinção de freguesias.

Para nós, 


O POVO É QUEM MAIS ORDENA, sempre, e

não apenas na letra da canção que serviu desenha ao 25 de Abril.

Estamos confiantes que as freguesias extintas por esta lei injusta hão-de ser recriadas pela vontade do povo, a mesma vontade hoje espezinhada mas que há-de derrubar este governo e todos os que seguirem a mesma política que asfixia e vende o país a retalho.

Reivindicamos investimento público destinado a criar condições que permitam o aproveitamento económico da serra onde parte do concelho de Almodôvar se integra, aspecto decisivo na criação de emprego, em particular de uma geração qualificada de jovens a quem os governantes só sabem apontar, como solução, a saída do país.

Exigimos o apoio do Estado (governo e autarquias) aos projetos e agentes culturais (associações, grupos de teatro, museus, músicos, artistas plásticos, artesãos), de modo a valorizar as atividades criativas e o imenso património natural, histórico e cultural do país, bem patentes no concelho de Almodôvar.

Mais do que nunca, é necessário relembrar que as inevitabilidades não existem e que o futuro será aquele que soubermos construir. Em democracia não há inevitabilidades; há sempre alternativas!

O espírito do 25 de Abril convoca-nos de novo a lutar contra o fatalismo, contra estas “receitas” que, em vez de curarem, aceleram e agravam a doença.

Tal como em 1974, é urgente voltarmos a comandar as nossas próprias vidas e a construir alternativas às políticas de empobrecimento e de asfixia das liberdades.

O Bloco de Esquerda reafirma que estará sempre ao lado de todas e todos os que, ao celebrarem o 25 de Abril e o fim do fascismo em Portugal, se propõem lutar pelos valores e ideais que marcaram aquela data.

Só assim vale a pena evocar e celebrar o 25 de Abril.

Não como data de um passado ainda recente, cheia de promessas não cumpridas, mas como realidade sempre presente e capaz de projetar-se no futuro.



   VIVA O 25 DE ABRIL!


   O POVO É QUEM MAIS ORDENA, SEMPRE!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Comunicado à População - AGO/2012



PSD de Almodôvar foge do referendo e prepara extinção de freguesias


Depois duma primeira recusa, o Presidente da Assembleia Municipal de Almodôvar viu-se obrigado a convocar uma sessão extraordinária para 17 de Agosto, que teve como único ponto a proposta do Bloco de Esquerda para a realização dum referendo, com a seguinte pergunta:

“Concorda que a Assembleia Municipal de Almodôvar se pronuncie pela manutenção das freguesias integradas no Município de Almodôvar?”

Esta proposta foi recusada pelos eleitos do PSD – incluindo os Presidentes de Junta de Aldeia dos Fernandes, Rosário, Santa Clara-a-Nova, Santa Cruz, São Barnabé e Sr.ª da Graça de Padrões que votaram contra esta proposta que defende a manutenção das suas freguesias!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Comunicado à População - Março de 2012

Depois das Urgências do SAP querem fechar Freguesias, o Tribunal… e mais o quê?

Centro de Saúde de Almodôvar
A população de Almodôvar não é cega e vê que já fecharam no Centro de Saúde de Almodôvar – o serviço SAP (Serviço de Atendimento Permanente) ou Urgências.
Fruto das políticas centrais cegas às necessidades locais e às dificuldades do nosso concelho, decidiram que os Almodovarenses teriam de prescindir do seu serviço de urgências, em nome de uma estratégia de combate à crise que os Almodovarenses não criaram.
O Bloco de Esquerda – Almodôvar não vê com bons olhos este encerramento que em nada favorece a nossa população e tem propostas, pois acredita que os Almodovarenses podem e devem ter melhor.

Os Almodovarenses não são distraídos e sabem que se pretende acabar com as Freguesias de Gomes Aires Senhora da Graça de Padrões.
Resulta, mais uma vez, de uma decisão tomada pelos partidos PS/PSD/CDS-PP que, no papel de profetas da desgraça, assinaram o Memorando da Troika (FMI/BCE/CE) onde está a extinção de Freguesias.
É entendimento do Bloco de Esquerda – Almodôvar que melhor é possível. A população Almodovarense, uma vez mais foi ignorada pela maioria dos seus representantes na Assembleia Municipal que chumbaram a moção apresentada pelo Bloco de Esquerda contra a extinção destes órgãos, com a agravante de os presidentes destas mesmas Juntas de Freguesia se remeterem ao silêncio, através da abstenção, denotando a indiferença relativamente à extinção das “suas” freguesias.
O Bloco de Esquerda defende que, a extinção de Juntas de Freguesia ou quaisquer outros tipos de alterações ao ordenamento do território deve ser alvo de referendo popular – única forma de dar voz aos eleitores.
Os Almodovarenses estão atentos e sabem que pretendem fechar o Tribunal de Almodôvar.