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sexta-feira, 6 de maio de 2022

Cristina Ferreira - Crónicas V (06MAI2022)

 


"ORÇAMENTO GARANTE QUEBRA REAL DE SALÁRIOS E PENSÕES”


 

Catarina Martins lembrou que os preços já subiram quatro vezes mais do que os salários e, como não são atualizados à inflação, continuam a encolher. A coordenadora do Bloco alertou ainda que esta quebra real de rendimentos se estende a toda a economia.

“Se bem me lembro, o que António Costa prometia na campanha eleitoral era uma melhoria de rendimentos. Aqui chegados, temos um Orçamento que, como o ministro das Finanças já reconheceu, tem quebra real de salários, quebra real de pensões e de outras prestações sociais”, afirmou Catarina na sessão plenária da Assembleia da República.

A dirigente bloquista referiu que as medidas apresentadas pelo executivo “já estavam previstas antes deste ciclo de inflação”, e nem sequer foram ajustadas à realidade que estamos a viver.

Acresce que o que o Governo “promete como grande medida, que é a baixa de Imposto Sobre Produtos Petrolíferos, é, de facto, apenas o Governo a abdicar de uma pequena parcela do brutal aumento de receita que terá com este ciclo de inflação”.

Catarina Martins afirmou ainda que PS e PSD falam muito em “contas certas”, mas “nem se aperceberam que nos investimentos estruturantes há uma revisão em baixa do primeiro documento para este Orçamento do Estado”. É o que acontece, por exemplo, na Saúde, com a verba a baixar de 251 milhões para 115 milhões de euros.

“A questão é que os preços já subiram quatro vezes mais do que os salários e, como não são atualizados à inflação, continuam a encolher. E ainda que acreditemos que esta inflação é transitória, o que o Governo aqui nos propõe é uma quebra real permanente de salários e de pensões”, continuou a coordenadora do Bloco.

“É absolutamente incompreensível que o governo não queira mexer nos salários” pois usando as “previsões otimistas do executivo”, Catarina ilustrou a quebra de rendimentos. Um trabalhador que ganhe 1250 euros, para não perder rendimento face à inflação, precisava de uma atualização de 50 euros por mês. Contudo, o Governo propõe um aumento no Estado, e que é um “sinal para o privado”, de 11,25 euros. Isto implica que o trabalhador no final do ano tem uma quebra salarial real de 542,5 euros. Já um pensionista com um aumento extraordinário de 10 euros, e que receba uma pensão de 1000 euros, acaba por perder 420 euros num ano. O corte é real “mesmo para os mais pobres dos pobres”: de acordo com um estudo da Universidade Nova, seria preciso um apoio mensal de 40 euros, ou seja, 480 euros por ano, para os mais fragilizados. Ao invés disso, o executivo anunciou 60 euros para todo o ano, o equivalente a 5 euros por mês. E não atualiza o Indexante dos Apoios Sociais (IAS) à taxa da inflação.

“A obstinação do PS em manter as leis laborais da troika enfraqueceu os mecanismos de atualização dos salários no setor privado e a decisão de quebra de salários no setor público é a desculpa que os patrões esperavam para impor quebra de salários em toda a economia. Aliás, os representantes dos patrões, através da CIP, já vieram dizer que era o que mais faltava mexer nos salários para responder à inflação. E, para isso, pediram emprestado o mantra que o Governo tem vindo a repetir: prudência”, avançou a dirigente do Bloco.

E enquanto o Governo e os patrões “se unem no refrão que vai condenando os salários de quem trabalha, os administradores das maiores empresas portuguesas aumentaram os seus próprios rendimentos em 90%, fora os lucros entregues aos acionistas. Aí já não há prudência que nos valha”, acrescentou.

Catarina Martins deixou uma questão ao Governo: Se este reconhece que “os preços não vão baixar e os salários e pensões não são atualizados à inflação, como é que se pode concluir outra coisa deste Orçamento que não uma opção do governo do Partido Socialista pela queda permanente e real de salários em Portugal?”.

 

Caixa Alta, Rádio Castrense

Cristina Ferreira, 06/05/2022

 

sexta-feira, 23 de março de 2018

Cristina Ferreira- Crónica ( XVII )










Segundo o último relatório sobre a felicidade mundial, os países nórdicos ocupam cinco das dez primeiras posições. Portugal, numa lista de 155 países, surge em 89 no ranking divulgado pelas Nações Unidas.


Os países nórdicos surgem em primeiro lugar pelo facto de haver mais confiança social, igualdade e bem-estar dos respetivos cidadãos.

"Os países mais felizes são aqueles em que há um equilíbrio saudável na prosperidade e um alto capital social, o que leva a uma confiança na sociedade, baixos níveis de desigualdade e confiança no governo", refere o documento.

As melhores condições de vida, um apoio social eficaz, um bom sistema de saúde, baixos níveis de corrupção, liberdade para escolher o que querem fazer na vida, a generosidade, um sistema de justiça independente, uma boa governação são alguns dos fatores que contribuem para aumentar os níveis de felicidade das pessoas.



Estes países nórdicos têm uma das maiores cargas fiscais do mundo mas são felizes logo o que traz infelicidade é pagar muitos impostos e não ter serviços públicos de qualidade.

Em Portugal fomos muito infelizes ao longo do período de profunda crise que afetou a Europa mas agora temos mais felicidade do que em 2008/2010.

O que precisamos para melhorar o índice de felicidade?

A resposta passa por aumentar o combate à corrupção de modo a aumentar a confiança social mas, também, por ter uma boa governação: as pessoas precisam de confiar nos seus governos, empresas e instituições.

Mas como ser feliz quando temos notícias como esta de que o Banco Central Europeu defende o aumento da idade da reforma para não reduzir pensões? 

A resposta é a de que assim se compensam os efeitos do envelhecimento da população pois parece que este facto vai ter implicações económicas e fiscais para os países, e representa um desafio para os mesmos no que respeita a assegurar a redução do endividamento, bem como a sustentabilidade fiscal a longo prazo.

A redução do potencial de crescimento, a menor oferta de trabalho e os crescentes encargos com pensões são os desafios identificados e os fatores de maior pressão sobre as pensões nos países da moeda única.

Assim não! 

Este não é, certamente, um fator que contribuirá para a felicidade, nem do país, nem dos cidadãos!

Aumenta-se a esperança de vida para ficar preso nas malhas do trabalho? 

Que qualidade de vida é esta?

Bem, lá se foi a minha felicidade...




23/03/2018
Cristina Ferreira