terça-feira, 24 de novembro de 2020

VALE A PENA RECORDAR


Há sensivelmente três anos, os mineiros do baixo Alentejo estavam em greve. Se na Almina, em Aljustrel, lutavam por melhores condições de segurança e pelo fim da pressão e repressão, na Somincor, em Neves-Corvo, o pacote reivindicativo continha, entre outras, a humanização dos horários e o acesso à antecipação da idade de reforma por desgaste rápido dos trabalhadores de lavarias.

No decorrer deste tempo algumas reivindicações foram atendidas embora nem sempre da forma que cada um dos trabalhadores e trabalhadoras as imaginaram. Como em todas as grandes mudanças, houve perdas, mais pesadas para alguns que para outros, mas também houve ganhos que importam salientar.

Estes, são processos muito complexos que naturalmente envolveram também as estruturas partidárias – da qual o Bloco de Esquerda não se imiscuiu, órgãos governamentais e vontade política para dar eco à luta dos trabalhadores, mas sobretudo foi a união destes trabalhadores que permitiram essas mudanças.

Muitos tentaram desvalorizar a capacidade de luta dos trabalhadores dizendo ser só um punhado de homens descontentes a fazer barulho, porém com este pequeno punhado de homens e mulheres alcançou-se o que se dizia ser impossível.

Não existem vitórias perfeitas e a luta dos trabalhadores e trabalhadoras é feita de muitas batalhas. Esta foi só mais uma e somente a longitude no tempo poderá mostrar o quão significativa ela foi.

 

Almodôvar, 24/11/20

Filipe M Santos


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Cristina Ferreira - Crónicas IV (20NOV2020)

 



MEDIDAS MÍNIMAS PERANTE UMA PANDEMIA

 

Medidas mínimas perante uma crise, uma pandemia é a resposta que o governo PS apresenta: não são a solução, nada resolvem, pelo contrário só agravam as fragilidades já existentes, agravando condições sociais e económicas de uma população que luta com o vírus, com a manutenção do emprego.

A aposta deveria ser ao contrário: maior apoio nas diversas áreas pois, só assim, se pode reforçar o combate à covid19, apoiar o cumprimento das regras, bem como evitar não deixar ninguém ao abandono.

A saúde da população continua nas mãos do Serviço Nacional de Saúde e este necessita, urgentemente, de medidas de apoio que possam preservar a sua capacidade de resposta, assegurar o seu funcionamento em pleno de modo a responder a todas as situações, sejam elas urgentes ou não.

Por outro lado, o governo gasta milhares de milhões de euros em pagamentos a serviços de saúde privados, utilizando os recursos públicos, mas estes têm de ser utilizados de forma criteriosa pois não tem nenhum sentido que haja quem esteja a lucrar com a crise. O interesse público é primordial, mas numa situação de pandemia, de crise é imprescindível.

A ofensa feita aos profissionais de saúde através da oferta de vales de compras, seja  para angariar trabalhadores ou para aqueles que façam mais de 40 horas semanais,  mostra bem o empenho que o governo está a colocar na resolução do problema; vamos ajudar o Pingo Doce, esse exemplo imaculado de cumprimento da lei ao nível fiscal e laboral, e nem sequer dá hipótese de escolha de outro local de compra como, por exemplo, o famoso comércio local.

Na perspetiva do prolongamento do estado de emergência, as medidas daí resultantes devem ser baseadas na realidade das necessidades que se verificam atualmente, e nas que possam advir do seu prolongamento ou agravamento da situação de crise, pelo que  planear o que fazer  e como o fazer é urgente,  pois mudar todas as semanas  estratégias e medidas não é coerente com a eficácia de resultados e só cria confusão, insegurança e medo na população que se vê confrontada com restrições e sem resultados.

Uma comunicação clara e coerente à população permite compreender o risco, respeitar as medidas e, a nível individual, atuar face ao risco a que está exposta.

Nove meses de pandemia exigem fortes medidas de apoio económico e social, pois as medidas de restrição continuam a jogar para o universo da pobreza muita gente e colocam muitos setores em situações de rutura.

Precisamos de um orçamento capaz de responder à crise, precisamos de políticas que tenham a coragem de sair do populismo, da inércia, para enfrentar a realidade, as necessidades de um país em crise.

 

Caixa Alta, Rádio Castrense

Cristina Ferreira, 20/11/2020